O Coletivo de Artistas Plano Perfeito realiza os últimos ensaios para o espetáculo “Da periferia pro mundo”, que será apresentado no dia 3 de julho deste ano, no Teatro Amazonas, em Manaus.
A obra, que conta com a participação de 60 artistas em cena e mais de 20 pessoas nos bastidores, aborda o cotidiano da periferia, temas de relevância social, e o poder transformador da arte.
O elenco é formado por crianças, adolescentes, jovens e adultos, integrantes de forma direta ou indireta do Instituto de Artes Plano Perfeito, que oferta formações artísticas de forma gratuita no bairro Grande Vitória, na Zona Leste da cidade.
A ideia
Márcia Vargas, gestora do instituto e do coletivo, detalhou que o processo criativo do espetáculo foi desenvolvido a partir das histórias reais.
“Nós acompanhamos anualmente as histórias de crianças e de famílias aqui da comunidade, e foi a partir dessas histórias que acompanhamos que nasceu o Da Periferia pro mundo. É uma história de superação. Narra a trajetória de uma família que encontrou na arte o poder para sonhar”, destacou.
A reflexão clássica de que a vida imita arte é um recorte da realidade vivenciada pela jovem Helena Brandão, de 24 anos, que percebe a mudança na vida dela e de seus familiares a partir do envolvimento com a arte.
“Tenho uma sobrinha que era do balé e agora tá no urbano. Também tem o meu irmão que dança comigo. É gratificante ver a nossa família fazendo parte. Poder ter um local perto de casa onde as crianças e os jovens têm esse foco, esse futuro, têm como permanecer na arte, em algo produtivo, é muito bom”, enfatizou.
Realidade das periferias
Alexandre Ramos, de 25 anos, é o responsável pela coreografia “Da perifa para o mundo”. Ele explicou que o cotidiano na periferia deu o tom dos movimentos usados na última dança da obra.
“A gente mostra a grande comunidade da periferia encontrando esse lugar viver seus sonhos, de estar nos grandes palcos. No processo coreográfico eu tentei entrar nesse lugar, de como é o nosso dia a dia na comunidade e trouxemos isso para os ensaios. A coreografia mostra essa força da comunidade tendo esperança de um futuro melhor”, destacou Ramos.
Esperança e força são palavras que Stephany Vargas, de 14 anos, tem carregado para dar vida a sua primeira protagonista. Ela fala do desafio de atuar, cantar e dançar em cena.
“Tenho achado muito legal a dinâmica dos ensaios. É bem desafiador também. Eu acho que tenho aprendido a ser o meu personagem. Ela (personagem) mora em um lugar periférico, numa realidade muito difícil, e as pessoas não acreditam nos sonhos delas. Ela não, ela sonha demais e acredita que todos podem acreditar e realizar seus sonhos”, contou.
Para Lorena Melo, de 12 anos, que participa do projeto social desde o ano passado, a preparação no instituto de artes ensina bem mais que dança ou música.
“É muito legal participar. Aprendo bastante e também me comovo com as histórias, acho muito interessante, e que, às vezes, até me ajuda na minha vida pessoal. Para mim (o espetáculo) vai ser uma coisa bem linda. Estou bastante ansiosa para se apresentar, para estar no palco, que é o que eu gosto”, declarou.
Sinopse
“Da Periferia pro Mundo” é um espetáculo de teatro, dança e música autoral que conta a história de uma família da periferia que aprende a enfrentar as dificuldades sem desistir dos seus sonhos. Mais do que um espetáculo, ele representa a realidade de muitas famílias amazonenses e mostra que a arte pode transformar vidas, gerar oportunidades e fortalecer comunidades.
O espetáculo nasceu a partir das histórias vivenciadas diariamente na Casa de Artes Plano Perfeito, situada na Zona Leste da cidade. Ao longo dos anos, o projeto acompanha crianças, adolescentes e famílias que encontraram na arte um caminho de transformação. ‘Da Periferia pro Mundo’ fala sobre sonhos, propósito, fé, superação e sobre a força que existe dentro das comunidades periféricas.







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