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Economia

Brasileiro que comprou ações da Eletrobras com FGTS pode migrar para fundos com gestão ativa

Os brasileiros que antigamente compraram Petrobras e Vale com FGTS nas privatizações também podem migrar para esses produtos.
Foto: Divulgação

Os brasileiros que compraram as ações da Eletrobras com dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na privatização podem ter se assustado: viram o seu dinheiro se valorizar 37% até o começo de novembro e, a partir de então, se desvalorizar 21%. Contudo, embora a maioria não saiba dessa opção, desde meados de dezembro, seis meses após a privatização, esses investidores podem optar por migrar o dinheiro investido para fundos de investimento em ações com gestão ativa, que compram papéis de diferentes companhias em vez de apenas um papel e podem dar rendimento maior no longo prazo.

Essa é uma possibilidade também para quem antigamente comprou ações da Petrobras e da Vale com FGTS nas privatizações. O recurso aplicado em fundos de uma única ação – seja ela Eletrobras, Petrobras ou Vale — pode ser transferido para fundos do tipo Fundo Mútuo de Privatização (FMP) Carteira Livre. Além de ações diversas, esses fundos podem comprar títulos públicos até o limite de 49% da carteira.

Há apenas R$ 3 milhões em FMPs Carteira Livre, enquanto há R$ 14 bilhões em FMPs originais, conforme a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Entretanto, o número de fundos assim começou a aumentar após seis meses da privatização da Eletrobras, o período a partir do qual dá para fazer a mudança pela norma.

Atualmente, o Bradesco, o BTG Pactual e a XP possuem FMPs Carteira Livre que compram ações de companhias diferentes e estão abertos ao público. Além disso, o Itaú está estruturando um fundo novo e deve lançá-lo em breve, conforme apurou o Valor Investe. A Caixa também possui um produto que pertence formalmente a essa categoria, mas ele compra apenas ações da Petrobras e títulos públicos.

BTG Pactual Asset Management, gestora de fundos do banco BTG Pactual, lança hoje o BTG Pactual Absoluto FMP-FGTS Carteira Livre e o BTG Pactual Absoluto Moderado FMP-FGTS Carteira Livre. Os dois produtos imitam a carteira de um antigo fundo de ações do banco, chamado de BTG Pactual Absoluto Institucional FIC FIA, que rendeu 260% desde a criação, em 2010, ante 73% do Ibovespa, indicador de referência da bolsa brasileira.

Um dos fundos novos compra apenas ações e o outro investe metade da carteira em títulos públicos, como uma alternativa para quem deseja menos oscilação. “Decidimos dar a possibilidade aos investidores de remunerar melhor o seu capital que está aplicado em fundos de Eletrobras, Petrobras e Vale, diante das limitações das políticas de investimentos deles”, afirma Eduardo Miquelotti, responsável pelos produtos da BTG Pactual Asset Management.

Bradesco Asset, gestora de fundos do banco Bradesco, também mudou a estratégia dos seus dois antigos FMPs Carteira Livre em dezembro. O Bradesco Multiportfolio FMP-FGTS Carteira Livre é um produto com gestão ativa e é mais arrojado. O fundo compra de 25 a 30 ações de companhias boas pagadoras de dividendos e imita a carteira de um antigo fundo do banco, o Bradesco FIA Dividendos, que acumula rendimento de 788% desde a criação, em 2004, contra 402% do Ibovespa.

Já o Bradesco FMP-FGTS Carteira Livre é um fundo com gestão passiva, ou seja, busca acompanhar um indicador de referência, o Ibovespa, e é mais moderado. “A privatização da Eletrobras gerou uma oportunidade de dinheiro novo migrar para esses produtos”, afirma Rodrigo Santoro, chefe de renda variável da Bradesco Asset. “Faz mais sentido diversificar os ativos do que investir em apenas uma ação”, diz.

A XP Asset, gestora de fundos da corretora XP, também criou em dezembro dois fundos para receber dinheiro dos antigos FMPs: o XP Investor FMP-FGTS Carteira Livre e o XP Balanceado FMP-FGTS Carteira Livre.

O primeiro é mais arrojado: compra entre 15 e 20 ações e imita a carteira do Investor FIA, um dos fundos de ações mais antigos . O Investor FIA acumula rendimento de 672% desde a criação, em 2006, enquanto os FMPs de Petrobras e Vale acumularam rendimento de 174% e 586% no mesmo intervalo.

O segundo fundo é mais conservador: 51% da carteira replica o Investor FIA e 49% é alocada em títulos públicos. “Aconselhamos fazer a migração, considerando que no longo prazo faz sentido ter uma carteira mais diversificada e que o histórico longo de rentabilidade mostra que a gestão ativa é melhor”, afirma Marcos Peixoto, gestor de renda variável da XP Asset.

Prós e contras da migração

Ele diz que o medo do mercado de que o governo Lula acabe interferindo mais nas estatais foi uma causa a mais para lançar os produtos. “Existe uma incerteza muito grande do que vai ser daqui para frente, especialmente com a Petrobras, o que deixa os investidores com uma pulga atrás da orelha”, afirma.

O maior risco de migrar para os fundos com gestão ativa, em sua avaliação, é a equipe de gestão errar em suas escolhas. “Não acertamos todo ano e pode acontecer de fazermos escolhas ruins e darmos rendimento abaixo dos fundos de Eletrobras, Petrobras e Vale em algum ano. Retorno passado não é garantia de retorno futuro”, diz.

Os estudos apontam que, nas experiências realizadas, compensou comprar as ações das companhias com FGTS nas privatizações em comparação a deixar o dinheiro no FGTS, que rende apenas 3% ao ano mais a Taxa Referencial (TR).

Contudo, uma carteira diversificada tende a oscilar menos do que apenas uma ação, porque busca ter papéis diferentes conforme o ambiente macroeconômico e microeconômico para as companhias (veja gráfico abaixo). Ou seja, é menos impactada por problemas econômicos, políticos ou mesmo setoriais que afetam uma única empresa. Assim, uma carteira diversificada tende a proporcionar um equilíbrio maior entre retorno e risco.

Entretanto, é bom saber que esses fundos com gestão ativa custam mais caro, ou seja, os bancos e corretoras ganham mais quando os clientes fazem a migração. A taxa de administração vai até 2% ao ano nos FMPs Carteira Livre, bem acima da taxa de administração máxima de 0,40% ao ano nos FMPs originais de Eletrobras, por exemplo. E ainda há o risco da equipe de gestão errar as suas escolhas e o fundo ir mal em algum ano.

Apesar disso, analistas aconselham fazer a migração. “Acho que vale a pena migrar para os fundos com gestão ativa de bons gestores, mesmo com a taxa de administração. A migração para a bolsa de valores sem devido auxílio de gestão pode ser prejudicial no longo prazo”, afirma Enrico Cozzolino sócio e chefe de análise da Levante Investimentos.

O cotista que migrar o dinheiro para os FMPs Carteira Livre não é tributado, porque ele faz um processo chamado de portabilidade, e não de resgate. Apenas investidores que já possuem dinheiro alocado em FMPs podem pedir essa migração ao assessor de investimentos da corretora ou ao gerente do banco. A portabilidade pode ser feita dentro do mesmo banco ou corretora ou para outra instituição financeira.

O investidor dos FMPs Carteira Livre também só consegue pedir a migração do dinheiro de novo para outros FMPs após seis meses ou para a conta do FGTS após 12 meses. A carência cai caso ele entre em algumas das condições para uso do FGTS, como aposentadoria e demissão sem justa causa.

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