O Instituto Nacional de Câncer (INCA) divulgou nesta terça-feira (4), no Dia Mundial do Câncer, a Estimativa 2026 – Incidência de Câncer no Brasil. O levantamento aponta cerca de 781 mil novos casos da doença por ano no país entre 2026 e 2028 — número que cai para 518 mil quando excluídos os tumores de pele não melanoma, divulgados separadamente por sua alta incidência e baixa letalidade.
Os dados confirmam o câncer como uma das principais causas de morbimortalidade no Brasil, aproximando-se das doenças cardiovasculares como principal causa de morte. Entre homens e mulheres, a doença segue avançando impulsionada pelo envelhecimento da população, exposição a fatores de risco evitáveis e desigualdades persistentes no acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce.
A nova estimativa representa crescimento relevante em relação ao triênio anterior e acompanha a tendência global já apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que projeta aumento expressivo da carga mundial de câncer nas próximas décadas.
Perfil dos tumores mais incidentes
Excluindo o câncer de pele não melanoma, os tipos mais frequentes no Brasil em 2026 serão:
- Mama feminina – 78.610 casos/ano (15,2%)
- Próstata – 77.920 (15,0%)
- Cólon e reto – 53.810 (10,4%)
- Traqueia, brônquio e pulmão – 35.380 (6,8%)
- Estômago – 22.530 (4,3%)
Entre as mulheres, destacam-se mama (30,0%), cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), pulmão (6,4%) e glândula tireoide (5,1%). Entre os homens, lideram próstata (30,5%), cólon e reto (10,3%), pulmão (7,3%), estômago (5,4%) e cavidade oral (4,8%).
O câncer colorretal chama atenção por figurar entre os mais incidentes em ambos os sexos, reforçando a urgência de ampliar ações de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce. Já o câncer do colo do útero, altamente prevenível por vacinação contra HPV e detecção precoce, permanece em posição crítica: é a segunda neoplasia mais incidente nas regiões Norte e Nordeste e a terceira no Centro-Oeste e Sudeste, evidenciando desigualdades estruturais no acesso às políticas de saúde.
“Estamos vendo a materialização de tendências anunciadas há anos. O crescimento reflete o envelhecimento da população, mas também a exposição contínua a fatores evitáveis como sedentarismo, obesidade, alimentação inadequada e tabagismo — agora agravados pelo avanço do cigarro eletrônico entre jovens”, analisa Carlos Gil Ferreira, Carlos Gil Ferreira, diretor médico da Oncoclínicas e presidente do Instituto Oncoclínicas..
Desigualdades regionais persistem
O retrato regional revela dois Brasis oncológicos distintos. No Sul e Sudeste, predominam tumores associados ao estilo de vida urbano, como mama, próstata e colorretal. Já no Norte e Nordeste ganham peso cânceres ligados a condições preveníveis, como colo do útero e estômago, fortemente associados a infecções, saneamento precário e menor cobertura vacinal.
Entre homens dessas regiões, o câncer gástrico ocupa posições de destaque. No Sul e Sudeste, tumores relacionados ao tabagismo — como pulmão e cavidade oral — aparecem com maior frequência. “Esses padrões refletem a interação entre fatores demográficos, ambientais, hábitos de vida e desigualdade no acesso aos serviços de saúde”, reforça Carlos Gil.
Adultos jovens entram no radar
Outro alerta importante é o crescimento da incidência em pessoas com menos de 50 anos, fenômeno observado globalmente e que começa a se consolidar também no Brasil.
“O câncer está se tornando mais jovem. Tumores antes típicos da terceira idade agora surgem em pacientes na casa dos 30 e 40 anos, especialmente o colorretal”, afirma Carlos Gil. Segundo ele, alimentação ultraprocessada, obesidade precoce, sedentarismo e exposição ambiental ajudam a explicar essa mudança.
Prevenção ainda é o principal remédio
O INCA reforça que parcela significativa desses cânceres poderia ser evitada. Vacinação contra HPV, controle do tabaco, alimentação saudável, atividade física regular e rastreamento organizado são estratégias centrais para frear a curva da doença.
As infecções seguem como fator relevante, sobretudo nas regiões mais vulneráveis. Mais de 90% dos casos de câncer do colo do útero estão associados ao HPV — o que torna a ampliação da cobertura vacinal uma prioridade absoluta.
“O Brasil tem um dos melhores programas públicos de imunização do mundo. O desafio agora é garantir adesão, logística e combater a desinformação”, diz o diretor médico da Oncoclínicas.
Avanços no tratamento contrastam com gargalos de acesso
Apesar do cenário desafiador, a oncologia vive uma revolução terapêutica, com imunoterapia, terapias-alvo e medicina de precisão ampliando as chances de controle e cura de diversos tumores.O grande obstáculo, porém, segue sendo o acesso.
“Hoje temos tratamentos comparáveis aos dos Estados Unidos e Europa no sistema privado, mas ainda há atraso significativo na incorporação dessas tecnologias pelo SUS. Quando sabemos que boa parte dos casos poderia ser evitada, isso se torna ainda mais crítico”, afirma o oncologista.
Para tumores diagnosticados precocemente, as taxas de cura podem ultrapassar 70%, chegando a cerca de 90% no câncer de mama em estágio inicial.
“Mais do que estatísticas, esses números são um chamado à ação. Investir em prevenção, diagnóstico oportuno e acesso ao tratamento é investir em vidas”, resume Carlos Gil.
DADOS OFICIAIS DO INCA 2026–2028
Estimativa de novos casos anuais (todas as neoplasias): 781.050
Excluindo pele não melanoma: 517.770
Tipos mais incidentes (exceto pele não melanoma):
- Mama feminina – 78.610
- Próstata – 77.920
- Cólon e reto – 53.810
- Traqueia, brônquio e pulmão – 35.380
- Estômago – 22.530
Entre mulheres: mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide
Entre homens: próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral
Destaques regionais:
– Colo do útero é 2º mais incidente no Norte e Nordeste
– Estômago tem alta relevância entre homens nessas regiões
– Tumores ligados ao tabaco predominam no Sul e Sudeste
Mensagem central do relatório: o câncer já é um dos maiores desafios de saúde pública do país e exige fortalecimento urgente das políticas de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce.
Sobre a Oncoclínicas&Co
A Oncoclínicas&Co, um dos principais grupos dedicados ao tratamento do câncer no Brasil, oferece um modelo hiperespecializado e inovador voltado para toda a jornada oncológica do paciente. Presente em mais de 140 unidades em 47 cidades brasileiras, a companhia reúne um corpo clínico formado por mais de 1.700 médicos especializados na linha de cuidado do paciente oncológico. Com a missão de democratizar o acesso à oncologia de excelência, realizou cerca de 670 mil tratamentos nos últimos 12 meses. Com foco em pesquisa, tecnologia e inovação, a Oncoclínicas segue padrões internacionais de alta qualidade, integrando clínicas ambulatoriais a cancer centers de alta complexidade, potencializando o tratamento com medicina de precisão e genômica. É parceira exclusiva no Brasil do Dana-Farber Cancer Institute, afiliado à Harvard Medical School, e mantém iniciativas globais como a Boston Lighthouse Innovation (EUA) e a participação na MedSir (Espanha). Integra ainda o índice IDIVERSA da B3, reforçando seu compromisso com a diversidade. Com o objetivo de ampliar sua missão global de vencer o câncer, a Oncoclínicas chegou à Arábia Saudita por meio de uma joint venture com o Grupo Al Faisaliah, levando sua expertise oncológica para um novo continente. Saiba mais em: www.oncoclinicas.com.





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