O primeiro semestre de 2026 não registrou mortes por malária na Terra Indígena Yanomami. No mesmo período, os óbitos por desnutrição apresentaram redução de 73,5% em comparação com 2023, ano em que foi declarada Emergência em Saúde Pública no território. Já o total de óbitos caiu 27,2%, passando de 217 registros, no primeiro semestre de 2023, para 158 em 2026. Os dados são do Informe 10 da Missão Yanomami, que reúne os indicadores de saúde e as ações desenvolvidas no território entre janeiro e junho de 2026. A Terra Indígena Yanomami tem 9.664.975 hectares (96.650 km²), uma área maior que Portugal, e situa-se nos estados do Amazonas e Roraima.
A série histórica dos primeiros semestres mostra que, após a redução registrada em 2024, o número de óbitos permaneceu estável nos três últimos anos: foram 159 registros em 2024, 157 em 2025 e 158 em 2026. Entre os principais resultados, também se destaca a redução de 40,8% nos óbitos por infecções respiratórias agudas (IRAs).
MALÁRIA – Entre janeiro e junho de 2026, foram registrados 6.891 casos de malária na Terra Indígena Yanomami, uma redução de 50,8% em relação ao mesmo período de 2023, quando foram notificados 14.018 casos. A redução dos casos ocorreu paralelamente à ampliação da capacidade de diagnóstico. No período, foram realizados 145.715 exames para detecção da malária, aumento de 85% em relação ao primeiro semestre de 2023, quando foram contabilizados 78.777 exames.
As ações de controle incluem ampliação da testagem, busca ativa, diagnóstico e tratamento oportuno. Entre as estratégias adotadas está a incorporação da tafenoquina e da tafenoquina pediátrica, administradas em dose única para pacientes elegíveis com malária por Plasmodium vivax (protozoário parasita e a causa mais comum e disseminada de malária recorrente em humanos), contribuindo para a adesão ao tratamento e a prevenção de recaídas.
VACINAÇÃO E ACOMPANHAMENTO NUTRICIONAL – O número de doses de vacinas aplicadas no primeiro semestre passou de 16.845, em 2023, para 34.817, em 2026, um aumento de 106,7%. Entre as crianças menores de um ano, a proporção com esquema vacinal completo passou de 32,2% para 56,2%. Já entre as crianças menores de cinco anos, a cobertura apresentou crescimento contínuo, passando de 53,5%, em 2023, para 78,4% no primeiro semestre de 2026.
Na área de nutrição, o acompanhamento infantil também avançou. A proporção de crianças acompanhadas passou de 63,4%, em 2023, para 85,1%, em 2026. Os indicadores nutricionais mostram redução da proporção de crianças com muito baixo peso, de 23,8% para 17,4%, na comparação entre os primeiros semestres de 2023 e 2026. No mesmo período, o percentual de crianças com peso adequado aumentou de 47% para 52,4%. O déficit de peso também apresentou redução, passando de 52,3% para 47,1%.
INFECÇÕES RESPIRATÓRIAS – No primeiro semestre de 2026, foram registrados 14.491 atendimentos por Infecções Respiratórias Agudas (IRAs) no território Yanomami, um aumento de 367% em relação ao mesmo período de 2023, quando foram contabilizados 3.100 atendimentos.
A ampliação dos atendimentos demonstra o aumento da capacidade de vigilância e assistência à saúde, inclusive diante da ocorrência de surtos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
Apesar do crescimento no número de atendimentos, a letalidade por IRA apresentou redução. No primeiro semestre de 2026, o indicador foi de 0,20%, frente a 1,58% registrado no mesmo período de 2023.
ESTRUTURA DE ATENDIMENTO – A ampliação da assistência também se reflete na estrutura de atendimento em saúde no território. O número de profissionais passou de 690, em 2023, para 2.107, em 2026, um crescimento de 205%. Sete polos-base foram reabertos e, atualmente, os 37 polos-base e as 40 Unidades Básicas de Saúde do território estão em funcionamento. Entre 2023 e junho de 2026, foram concluídas 34 construções e nove reformas de estabelecimentos de saúde indígena.
A rede ainda conta com o Centro de Referência em Saúde Indígena de Surucucu, entregue em setembro de 2025. Entre a inauguração e junho de 2026, a unidade realizou 6.128 atendimentos ambulatoriais e 2.536 exames laboratoriais. No mesmo período, 82,9% das remoções da região foram direcionadas ao centro, fortalecendo a capacidade de atendimento no próprio território.







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