O faturamento real das pequenas e médias empresas brasileiras caiu 8,4% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O dado faz parte do Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs) e indica uma retração disseminada entre todos os setores analisados, interrompendo a trajetória de recuperação observada nos meses anteriores.
O indicador acompanha a movimentação financeira de empresas com faturamento anual de até R$ 50 milhões e monitora cerca de 750 atividades econômicas distribuídas entre os setores de Comércio, Indústria, Serviços e Infraestrutura.
Segundo o levantamento, o cenário reflete uma deterioração do ambiente macroeconômico nacional, marcada por inflação pressionada, desaceleração da confiança do consumidor e manutenção de juros elevados.
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), voltou a recuar em maio após dois meses consecutivos de alta, sinalizando um ambiente menos favorável ao consumo e com impacto direto sobre o desempenho das PMEs.
De acordo com o economista da Omie, Felipe Beraldi, a perda de fôlego do mercado interno está associada ao avanço recente da inflação. “O IPCA subiu 0,58% em maio, impulsionado principalmente por energia elétrica e alimentos, configurando três meses seguidos de aceleração da taxa acumulada em 12 meses”, afirmou.
Segundo ele, o índice ultrapassou o teto da meta pela primeira vez desde outubro de 2025, elevando as expectativas inflacionárias para 5,3% ao fim do ano, conforme o boletim Focus do Banco Central.
Juros elevados e crédito mais restrito
No campo monetário, a perspectiva de manutenção de juros elevados também contribui para restringir o ambiente de negócios. Apesar da expectativa de um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião de 17 de junho, o mercado já vê espaço limitado para continuidade do ciclo de queda.
As projeções do boletim Focus indicam taxa básica de juros em 13,75% ao fim de 2026, o que tende a manter o crédito mais caro e reduzir o apetite a investimento, afetando diretamente o desempenho das PMEs.
Serviços e indústria em queda
No setor de Serviços, que vinha demonstrando maior resiliência, o recuo foi de 8,6% em maio na comparação anual. Ainda assim, alguns segmentos registraram desempenho positivo, como atividades de atenção à saúde humana, serviços de escritório e apoio administrativo e serviços de tecnologia da informação.
A Indústria de Transformação também apresentou retração significativa, com queda de 8,8%. Entre os 23 subsetores acompanhados, apenas sete registraram crescimento. Os destaques positivos foram impressão e reprodução de gravações, fabricação de produtos químicos e fabricação de máquinas e equipamentos. Apesar da queda mensal, o setor ainda acumula alta de 4,8% no ano.
Comércio reverte recuperação
O Comércio voltou ao campo negativo após dois meses de crescimento, registrando queda de 8,8% em maio. O recuo atingiu tanto o atacado (-7%) quanto o varejo (-9,1%).
No varejo, os poucos segmentos que ajudaram a suavizar a retração foram os de produtos alimentícios, livros e bebidas.
Infraestrutura tem pior desempenho
O setor de Infraestrutura registrou a maior queda entre os segmentos avaliados, com recuo de 13,5% na comparação anual. O resultado foi impactado principalmente pela retração em serviços especializados para construção e construção de edifícios.
Segundo o levantamento, o desempenho segue pressionado pelo custo elevado do crédito, que limita investimentos de longo prazo e afeta diretamente a cadeia produtiva das PMEs.
Cenário de incerteza
O conjunto dos dados aponta para um ambiente mais desafiador para as pequenas e médias empresas em 2026, marcado por crédito restrito, demanda enfraquecida e maior volatilidade econômica.
A combinação entre inflação acima da meta, juros elevados e confiança do consumidor em queda reforça um cenário de cautela para os empresários, que devem enfrentar maior dificuldade para expansão e investimento ao longo do ano.
Sobre o IODE-PMEs
O Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs) acompanha a atividade econômica de pequenas e médias empresas brasileiras com faturamento de até R$ 50 milhões. O indicador utiliza dados anonimizados de mais de 170 mil clientes, cobrindo cerca de 750 atividades econômicas. Os valores são deflacionados pelo IGP-M (FGV), permitindo a análise da evolução real das movimentações financeiras.







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