O Copom (Comitê de Política Monetária) informou que a intensidade e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas até a próxima reunião do colegiado. A mensagem consta na ata divulgada pelo colegiado nesta terça-feira (5).
Segundo os integrantes do comitê, as últimas divulgações de inflação, tanto ao consumidor, quanto ao produtor, mostraram sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, situando-se em valores significativamente acima dos inicialmente esperados.
“A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, diz o documento.
No cenário de referência considerado pelo Banco Central, as projeções para a inflação acumulada em 2026 e para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, são, respectivamente, 4,6% e 3,5%. A meta da inflação para este ano é de 3%, com intervalo de tolerância de até 4,5%.
“Desde a reunião anterior ficou evidente uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028”, afirma o documento.
Apesar das expectativas desancoradas, o Copom considerou que os “eventos recentes” não impediram o prosseguimento do ciclo de cortes da Selic. Na última reunião, o comitê decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,5%, ao avaliar que o corte de 0,25 p.p. era a decisão mais “adequada”.
“Essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, diz.
Além do cenário externo, o Comitê sinalizou que continuará acompanhando os dados do cenário doméstico para calibrar e refinar os impactos da medida de ampliação da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Ainda no cenário doméstico, o Banco Central afirmou que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia. O indicador serve como referência para as outras instituições financeiras do país definirem os valores que negociam o dinheiro que emprestam.








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