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Aposentado aos 33, Bolsonaro recebe uma fortuna em aposentadorias acumuladas

A proposta de reforma da Previdência foi entregue em mãos por Jair Bolsonaro a Rodrigo Maia (DEM-RJ),  presidente da Câmara dos Deputados. O texto é polêmico, sobretudo pelo aumento do tempo de contribuição.

A proposta de reforma da Previdência foi entregue em mãos por Jair Bolsonaro a Rodrigo Maia (DEM-RJ),  presidente da Câmara dos Deputados. O texto é polêmico, sobretudo pelo aumento do tempo de contribuição.

A idade mínima de aposentadoria para mulheres passaria de 62 anosHomens, 65. Beneficiários terão que contribuir por no mínimo 20 anos. A partir de 2024, a idade mínima sobe de acordo com a expectativa de vida do brasileiro. Segundo o IBGE, a expectativa de vida hoje está em 76 anos.

Com reajuste no início do ano, aposentados e pensionistas do INSS recebem salário mínimo de $$ 998. Diferente do proposto pela equipe econômica comandada por Paulo Guedes, o presidente da República se aposentou do Exército aos 33 anos, ganhando salário de R$ 10 mil. Como ex-deputado federal, o político tem direito a mais R$ 27 mil. Total de 37 mil, apenas de aposentadoria. E claro, o salário R$ 30 mil pela presidência. Ao deixar o Palácio do Planalto, Bolsonaro receberá R$ 28 mil ao mês.  

Jair Bolsonaro se aposentou aos 33 anos e ganha salário gordo

Em 1998, Jair Bolsonaro foi afastado do Exército aos 33 anos e com 15 anos de serviços prestados. Desde então, recebe aposentadoria de capitão 63% acima do teto do INSS.

Brasileiros que ganham acima de um salário mínimo vão ter que contribuir por 40 anospara conseguir se aposentar com 100% do salário-teto do INSS, atualmente na casa dos R$ 5.839.

Especialistas enxergam com ressalvas os baixos valores das aposentadorias. O temor é que aconteça no Brasil o mesmo que ocorreu no Chile. O país foi um dos primeiros a implementar o modelo de capitalização no início da década de 1980. O valor pago é menor que o salário mínimo e o governo chileno precisou criar um fundo estatal para garantir uma pensão mínima para os que não contribuíram com o sistema.

“No Brasil, há muitos trabalhadores rurais e informais que não têm uma renda regular. Pode ser que eles cheguem à idade de se aposentar e não tenham dinheiro suficiente para se manter”, afirmou ao UOL Kaizô Beltrão, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da FGV-Rio.

Para especialistas, mínimo baixo é problema

Em pronunciamento em cadeia de rádio e TV, Jair Bolsonaro defendeu o governo. O presidente disse que a reforma é necessária para o equilíbrio das contas públicas“Hoje, iniciamos o processo de criação de uma nova Previdência. É fundamental equilibrarmos as contas do país para que o sistema não quebre, como já aconteceu com outros países e em alguns estados brasileiros”, pontuou.

Analistas dizem o contrário e indicam impactos financeiros menores do que o esperado. O governo federal estima economia de R$ 1,1 trilhão, no entanto bancos e consultorias acreditam que a negociação com o Congresso Nacional reduzirá o impacto fiscal para o patamar de R$ 600 bilhões a R$ 800 bilhões.

Campanha é campanha

Durante a corrida eleitoral, o então candidato Jair Bolsonaro (PSL-RJ) chegou a dizer que a idade mínima de 65 anos era “falta de humanidade”O político afirmou que o desequilíbrio das contas públicas não tinha qualquer relação com a Previdência e que jamais atuaria para levar “miséria”aos aposentados por exigência do mercado financeiro.

Guedes lutou por tempo maior de contribuição

O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, diz que a idade mínima foi tema de embates entre Bolsonaro e Paulo Guedes. Marinho revela que Guedes queria 65 anos para homens e mulheres. Já o presidente insistiu em 65 para homens e 60 para mulheres. Entraram em consenso em 65 e 62, diferenciando homens de mulheres e garantindo transição de 12 anos.

Agora empossado, Bolsonaro disse que “errou” ao opinar sobre Previdência durante campanha.

O texto da reforma da Previdência chegou ao Congresso Nacional como uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição). Não há data certa para votação e nem prazo limite para as regras entrarem em vigor. As comissões de análise devem ser instauradas depois do Carnaval.

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