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Varejo deve crescer de forma moderada e desigual no início de 2026, aponta IBEVAR-FIA

Entre os destaques positivos estão os segmentos de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos
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Projeções econométricas elaboradas pelo IBEVAR – Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo em parceria com a FIA Business School indicam que o varejo brasileiro deve iniciar 2026 com crescimento moderado e comportamento heterogêneo entre os segmentos. As estimativas têm como base a Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No varejo restrito, que exclui veículos e material de construção, a projeção é de variação positiva no acumulado em 12 meses, atingindo 1,70% em fevereiro e desacelerando gradualmente até 1,27% em abril de 2026. Na comparação interanual, as vendas devem avançar 1,42% em fevereiro, 0,45% em março e 0,75% em abril, sinalizando expansão contida, porém consistente.

Já o varejo ampliado — que inclui os segmentos de veículos e material de construção — apresenta maior volatilidade. Após crescimento interanual de 1,36% em fevereiro, as projeções indicam retração de 2,34% em março e de 1,69% em abril, reflexo do desempenho mais fraco de atividades sensíveis ao crédito e às condições financeiras.

Desempenho por segmentos

Entre os destaques positivos estão os segmentos de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos, com crescimento interanual superior a 8% ao longo do trimestre e acumulado em 12 meses chegando a 6,70% em abril, evidenciando a resiliência do consumo essencial.

Hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo apresentam desempenho estável, com variações interanuais entre 0,42% e 0,67% e acumulado em 12 meses entre 0,3% e 1,0%, refletindo maturidade e menor volatilidade da demanda.

O segmento de tecidos, vestuário e calçados mantém trajetória positiva, com crescimento interanual entre 1,7% e 2,2% e acumulado em até 1,44% em 12 meses, sustentado por recuperação gradual do consumo discricionário.

Móveis e eletrodomésticos registram avanço relevante no acumulado anual, acima de 3,7%, embora apresentem oscilações mensais negativas, demonstrando sensibilidade à renda disponível e às condições de crédito.

Em contrapartida, material de construção deve apresentar retração interanual ao longo do trimestre, com acumulados negativos no ano e em 12 meses, indicando acomodação após ciclos anteriores de expansão.

Veículos, motos, partes e peças também seguem em queda, com recuos interanuais superiores a 3% e retração acumulada próxima de 4% em 12 meses, impactados por juros elevados e maior seletividade do consumidor.

O segmento de livros, jornais, revistas e papelaria mantém trajetória de retração estrutural, com quedas superiores a 10% em março e 17% em abril, reforçando a substituição por meios digitais.

Por outro lado, equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação apresentam crescimento consistente, com variação interanual entre 3,5% e 4,7% e acumulado acima de 3% em 12 meses, impulsionados por investimentos corporativos e demanda por tecnologia.

Outros artigos de uso pessoal e doméstico mostram comportamento instável, alternando altas e quedas, embora ainda sustentem acumulado positivo em 12 meses, em ritmo de desaceleração.

Crescimento seletivo

De forma geral, as projeções indicam um varejo em expansão moderada, mas com forte heterogeneidade setorial. Segmentos ligados ao consumo essencial e à tecnologia mantêm desempenho mais robusto, enquanto atividades dependentes de crédito enfrentam maior restrição.

Segundo Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, o cenário exige cautela estratégica. “Os resultados mostram um varejo que segue crescendo, mas de forma seletiva. O consumidor está mais cauteloso, priorizando gastos essenciais e adiando compras de maior valor, o que reforça a importância de estratégias mais focadas e eficientes por parte das empresas do setor”, afirma.

Sobre as instituições

Criada em 1980, a FIA Business School é referência em educação executiva, pesquisa e consultoria no Brasil e na América Latina. Fundada por professores da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), a instituição atua na formação de lideranças empresariais e no desenvolvimento de soluções para organizações públicas e privadas. Seus programas de MBA são credenciados pela AMBA (Association of MBAs), sediada em Londres, e figuram em rankings internacionais.

Fundado em 2009, o IBEVAR – Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo reúne mais de 19 mil associados e é reconhecido como plataforma de relacionamento e produção de conhecimento sobre varejo e consumo no país. A entidade realiza mais de 40 pesquisas periódicas anuais e promove iniciativas como o Ranking IBEVAR–FIA e o Prêmio de Inovação, além de encontros temáticos voltados a executivos do setor.

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