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Relator quer poker e fantasy games em projeto que libera os jogos de azar

Os jogos de habilidade já estiveram no projeto de relatoria de Carreras, mas foram retirados pelo próprio deputado antes do recesso parlamentar, em dezembro.
Imagem: Ze Carlos Barretta/Folhapress

O relator do projeto de lei que pretende legalizar os jogos de azar, deputado federal Felipe Carreras (PSB-PE), avalia incluir novamente no texto um capítulo que trata do poker e de fantasy games —competições online em que os apostadores criam times com base em jogadores reais e vão acumulando pontos conforme o rendimento deles, como o Cartola FC.

O objetivo da manobra é reduzir a resistência ao projeto que tramita no Congresso, principalmente das alas religiosas da Câmara e do Senado, e dar um tom mais leve ao texto, já que o poker e os fantasy games têm apelo popular e são considerados jogos de habilidade —chamados assim porque a perícia do apostador conta tanto ou até mais do que a sorte.

Os jogos de habilidade já estiveram no projeto de relatoria de Carreras, mas foram retirados pelo próprio deputado antes do recesso parlamentar, em dezembro. O objetivo era construir um acordo para a aprovação de um texto paralelo apenas para tratar dessa modalidade.

A retirada do capítulo, porém, prejudicou a articulação que vem sendo feita para a aprovação do projeto —especialmente pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, e pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, ambos do PP. “Nós estamos avaliando, sim [a reinclusão do capítulo]”, disse Carreras ao UOL.

Resistência evangélica

A atual proposta inclui apenas a legalização de cassinos, bingos e jogo do bicho, estabelecendo impostos sobre essas atividades, caso a lei entre em vigor. Parlamentares integrantes da ala evangélica, inclusive os ligados à atual gestão do Executivo, porém, afirmam que não irão apoiar o projeto.

Eles alegam que tornar os jogos de azar legais no Brasil vai intensificar a lavagem de dinheiro, o tráfico de drogas e o vício em apostas. Eles dizem acreditar que os prejuízos seriam maiores do que os benefícios financeiros com a arrecadação de impostos.

A rejeição dos religiosos, contudo, não fará com que deixem de compor a base aliada do governo e que votem em favor de outras pautas de interesse do Palácio do Planalto.

Tentativa de regulamentação

O Ministério da Economia havia elaborado a minuta de um decreto para que os jogos de habilidade, em especial virtuais, fossem regulamentados, com destaque aos fantasy games.

O texto do governo, porém, não avançou na Casa Civil, responsável por derrubar a minuta antes de a norma ser assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

Procurado pela reportagem, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, não respondeu aos questionamentos sobre o motivo de a minuta ter sido derrubada. Se houver retorno, o posicionamento será incluído neste texto.

Projeto pronto para ser votado

Com ou sem jogos de habilidade, o projeto dos jogos de azar está pronto para ser votado no plenário da Câmara. Deputados a favor dele querem que Arthur Lira o coloque em votação neste mês. A tramitação em regime de urgência do texto foi aprovada com facilidade no plenário em dezembro, pouco antes do recesso.

A Frente Parlamentar Evangélica do Congresso aposta que o presidente Jair Bolsonaro (PL) irá vetar o projeto. Mesmo assim, ainda busca convencer os parlamentares a favor dos jogos de azar a mudarem de posição.

Um pedido a Lira é que o projeto não seja analisado pelo sistema remoto, em vigor até o carnaval. Segundo fontes ligadas ao presidente da Casa, é mais fácil reverter votos ou algum acordo pessoalmente.

A contrariedade à legalização dos jogos de azar une a bancada evangélica com os católicos — a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) até soltou nota contra o projeto — e parte da esquerda. Críticos à ideia também afirmam contar com a eventual pressão contrária da opinião pública, que ganha peso em ano eleitoral.

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