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Quando o stand-up vira terapia: as fragilidades de ‘Is This Thing On?’

Divórcio, comédia e vaidades: um filme em busca do próprio final
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Foto: Reprodução

Apesar de suas qualidades evidentes, Is This Thing On? está longe de ser a obra-prima que Bradley Cooper parece determinado a entregar. Há diálogos excessivamente explicativos e reviravoltas que o filme trata como surpreendentes, mas que se revelam previsíveis. O roteiro, embora parta de uma premissa promissora, torna-se cansativo e perde força na reta final — sensação ampliada, nesta sessão específica, pelo desconforto de uma sala de cinema excessivamente quente em Manaus.

Will Arnett conduz o filme como Alex, um homem em meio ao divórcio que descobre no stand-up comedy uma tentativa de reconstrução pessoal. Laura Dern, como Tess, oferece mais uma atuação segura e comovente, especialmente quando sua personagem decide retomar sonhos abandonados. Ainda assim, a trajetória inspiradora dela acaba ofuscada pelo arco mais pragmático de Alex, cuja evolução — das noites constrangedoras de microfone aberto no West Village aos primeiros sinais de progresso — é dramatizada com atenção quase documental.

Cooper, que dirige, coescreve e atua como o excêntrico amigo Balls, demonstra ambição técnica e sensibilidade na condução de cenas longas e imersivas, com destaque para a mixagem de som e os planos-sequência que acompanham o nervosismo de Alex antes de subir ao palco. Há autenticidade na maneira como o diretor captura as flutuações emocionais dos personagens, e o elenco de apoio — incluindo Christine Ebersole, Ciarán Hinds e Sean Hayes — confere humanidade às relações.

Ainda assim, o filme recorre a elementos já conhecidos das histórias de divórcio: o constrangimento diante dos filhos, as confidências aos amigos, o ciúme e a redescoberta afetiva. Nada disso compromete totalmente a experiência, mas limita seu impacto.

Tecnicamente refinado, como já se via em Nasce Uma Estrela e Maestro, este é talvez o trabalho mais íntimo de Cooper — menos preocupado em impressionar e mais interessado em observar. O resultado é um filme discretamente tocante, imperfeito, mas dotado de uma voz própria que, mesmo entre tropeços narrativos, revela um cineasta em busca de maturidade artística.

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