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Presídios do Amazonas registram superlotação de 40,5%

Das 11 unidades inspecionadas no Estado, nove operam acima da capacidade, somando 3.885 detentos para um total de 2.765 vagas.

Presídios no Amazonas enfrentam superlotação, segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na nova versão do Geopresídios, plataforma que consolida informações atualizadas sobre inspeções e condições das unidades prisionais do país. Das 11 unidades inspecionadas no Estado, nove operam acima da capacidade, somando 3.885 detentos para um total de 2.765 vagas, o que representa superlotação de 40,50%.

A situação mais crítica foi registrada na Unidade Prisional de Tefé, localizada a 523 quilômetros de Manaus. Com capacidade para apenas 125 presos, a carceragem abriga atualmente 227, o que representa uma taxa de ocupação de 181,6%. Do total, 85 internos (37,4%) estão presos preventivamente e 33 (14,5%) cumprem regime fechado. Há ainda 11 indígenas, que correspondem a 4,8% dos custodiados.

Outro destaque negativo é o Centro de Detenção Provisória Masculina I (CDPM I), que dispõe de 766 vagas, mas atualmente abriga 1.271 detentos — taxa de ocupação de 165,9%. Entre os internos, 841 (66,2%) estão em prisão preventiva e 430 (33,8%) cumprem regime fechado. O levantamento identificou 7 migrantes (0,6%), 45 indígenas (3,5%), além de 66 idosos (5,2%) e 12 pessoas com deficiência (0,9%).

A Unidade Prisional João Lucena Leite, projetada para custodiar 33 presos, registra ocupação de 54, alcançando 163,6% da capacidade. Desse total, 34 (63%) são presos preventivos e 20 (37%) cumprem pena em regime fechado.

No Centro de Detenção Provisória Masculina II (CDPM II), a superlotação também é expressiva: são 1.032 internos para 667 vagas, taxa de 154,9%. A maioria (727 presos, ou 70,4%) encontra-se em prisão preventiva, enquanto 277 (26,8%) cumprem regime fechado. Há ainda 17 migrantes (1,6%), 9 indígenas (0,9%) e 4 pessoas em situação de rua (0,4%). O CDPM II também registra 13 idosos (1,3%) e 1 pessoa LGBTQIAPN+ (0,1%).

O Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) opera com ocupação de 107,9%, abrigando 947 detentos apesar das 878 vagas disponíveis. Todos os internos estão em regime fechado. O levantamento aponta ainda 2 indígenas (0,2%), 2 migrantes (0,2%), além de 31 pessoas com deficiência (3,3%) e 4 idosos (0,4%).

No interior, a Unidade Prisional de Coari, com capacidade para 116 presos, abriga 168 — taxa de 144,8%. A maioria (142 internos, ou 84,5%) está em prisão preventiva. O presídio também registra 9 indígenas (5,4%) e 3 migrantes (1,8%).

A Unidade Prisional de Itacoatiara (UPI) apresenta ocupação de 103,5%, com 149 presos para 144 vagas. Entre eles, 90 (60,4%) são preventivos e 59 (39,6%) cumprem regime fechado. A unidade possui quatro idosos (2,7%).

Em Parintins, a unidade prisional tem capacidade para 36 pessoas, mas abriga 37, registrando 102,8% de ocupação. Desses, 26 (70,3%) estão presos preventivamente e 11 (29,7%) cumprem regime fechado. Quatro internos (10,8%) são indígenas.

Sem superlotação

Foram as únicas a não apresentar superlotação o Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF) e a Unidade Prisional de Tabatinga, distante 1.110 quilômetros da capital.

Cniep

Lançado originalmente em 2011, o Geopresídios é alimentado pelo Cadastro Nacional de Inspeções em Estabelecimentos Penais (Cniep), sistema interno do CNJ que unifica o registro das inspeções judiciais realizadas em locais como penitenciárias, delegacias, cadeias públicas e hospitais de custódia. A plataforma também traz dados agregados atualizados sobre tipo de regime, forma de custódia, distribuição por sexo e grupos específicos, assim como consulta a relatórios de inspeção mensais e análise de dados de forma georreferenciada.

“O Geopresídios se consolida como um raio-x nacional das condições prisionais, contribuindo para o aprimoramento das políticas públicas e o fortalecimento da governança penitenciária. Essa plataforma reafirma o papel do Poder Judiciário na construção de políticas públicas baseadas em evidências. A transparência é uma ferramenta de justiça: ao dar visibilidade às condições de custódia, o CNJ contribui para decisões mais responsáveis e humanas”, afirmou o presidente do CNJ, ministro Edson Fachin, ao lançar a plataforma em evento em São Paulo.

Novidades

Acesse o novo Geopresídios

A principal novidade da plataforma é a interface modernizada associada a novos recursos, a exemplo de mapa interativo que localiza cada estabelecimento penal do país. Filtros analíticos avançados podem ser combinados em temas como taxa de ocupação, excedente sobre a capacidade e percentual de pessoas em prisão preventiva, exibindo um cenário georreferenciado inédito, informando ainda quais unidades foram inspecionadas ou não em determinado mês.

 

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