Segundo especialista, bancos ficaram mais fortes após estratégia adotada por governos anteriores para impedir impactos da crise de 2008, criando raízes nos principais centros de decisão públicos e privados
– O poder dos bancos, no Brasil, influencia diretamente a criação de políticas públicas no país. Essa é a opinião do gestor em políticas públicas e internacionais, especialista da Fundação da Liberdade Econômica (FLE), Arthur Wittenberg, apresentada em conversa com o presidente da FLE, o cientista político Márcio Coimbra, durante o sexto episódio do podcast Liberdade em Foco, que pode ser ouvido na íntegra a partir deste link.
Segundo o pesquisador, a influência das instituições bancárias nos diversos setores da economia e do poder público, inclusive com potência no relacionamento entre os parlamentares do Congresso Nacional, para o exercício da defesa de interesses, tem impacto direto sobre a construção de políticas, especialmente após a crise de 2008.
“Na crise financeira, de forma contraintuitiva, o governo de esquerda aumentou o poder dos bancos, a concentração e o lucro bancário aumentaram, e eles conseguiram controlar melhor a economia”, explicou. “Se há uma política pública em gestação, nociva ao setor que tem muito poder estrutural na economia, o normal é que ele reaja, dizendo por exemplo que não vai mais participar do desenvolvimento da economia ou daquele setor estratégico”, completou.
A crise de 2008 foi iniciada devido à especulação imobiliária nos Estados Unidos. Foi a chamada bolha, causada por um aumento abusivo nos preços dos imóveis. A supervalorização acabou não acompanhada pela capacidade financeira dos cidadãos de arcar com os custos. O evento culminou com a falência do tradicional banco de investimento norte-americano Lehman Brothers, fundado em 1850.
“Nos Estados Unidos havia aqueles bancos grandes demais para quebrar, mas no Brasil nós não tínhamos isso e permitimos esse tipo de instituição e o setor público permitiu, tanto o CADE quanto o Banco Central e o Ministério da Economia, a criação de um grande conglomerado, grande demais para quebrar”, acrescentou Wittenberg.
Sobre a FLE
A Fundação da Liberdade Econômica (FLE) é um centro de pensamento, produção de conhecimento e formação de lideranças políticas. É baseada nos pilares da defesa do liberalismo econômico e do conservadorismo como forma de gestão. Criada em 2018, a entidade defende fomentar o crescimento econômico, dando oportunidades a todos. Nesse sentido, investe em programas para a formação acadêmica, como centro de pensamento e desenvolvimento de ideias. Ao mesmo tempo, atua como instituição de treinamento para capacitar brasileiros ao debate e à disputa política.






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