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Otto Lobo nega atuação em favor do Master e diz que foi indicado por Lula

Segundo fontes que estiveram com ele nos últimos dias, ele tem defendido sua trajetória profissional e acadêmica na área
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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O advogado Otto Lobo negou a interlocutores ter articulado em favor do Banco Master e afirmou que sua indicação para presidir a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) se deu exclusivamente por critérios técnicos, avaliados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ele foi indicado para o cargo no dia 7 de janeiro. Desde então, enfrenta nos bastidores uma campanha em razão de decisões, como diretor e como presidente interino da CVM, favoráveis ao Banco Master — alvo de investigações por fraudes — e à Ambipar, empresa em recuperação judicial. Lobo também não era o nome preferido do Ministério da Fazenda, crítico do caso Master.

A aliados, porém, contesta que suas decisões tenham beneficiado o Master. Afirma que, por quatro vezes, ele e a CVM rejeitaram o termo de compromisso apresentado pelo banco — uma proposta que, na prática, encerra os processos sem julgamento do mérito.

Diz ainda que, na última vez, pediu vista justamente pela complexidade do caso e pela cautela que ele exigia. O pedido de vistadurou seis meses.

Sobre a Ambipar, afirmou que a posição que defendeu e acabou prevalecendo — de que não havia obrigação de OPA (Oferta Pública de Aquisição) — foi técnica e correta. Decisão nunca antes estabelecida pelo colegiado.

Além disso, Lobo também tem dito que, se houvesse contrariedade quanto a essas decisões, haveria questionamentos na Justiça, o que não ocorreu.

Segundo fontes que estiveram com ele nos últimos dias, ele tem defendido sua trajetória profissional e acadêmica na área.

É formado pela PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), tem mestrado pela Universidade de Miami e doutorado em Direito Societário pela USP (Universidade de São Paulo).

Antes da CVM, foi conselheiro titular do CRSFN (Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional) de 2015 a 2018, indicado pela então presidente Dilma Rousseff.

Ele afirma ainda que organizações ligadas ao meio jurídico, como o Instituto dos Advogados de São Paulo, e ao mercado financeiro, como a Abrasca (Associação Brasileira das Sociedades Anônimas de Capital Aberto), a Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários), a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) e a Amec (Associação de Investidores no Mercado de Capitais), já manifestaram apoio ao seu nome em razão da condução técnica à frente da CVM — fator que, segundo ele, contribuiu para consolidar a preferência do Palácio do Planalto.

Lobo rejeita que sua indicação esteja associada a uma operação política envolvendo nomes citados como potenciais padrinhos, como o senador Ciro Nogueira, o empresário Joesley Batista ou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

O presidente do Congresso, por sua vez, negou a informação e deixou em aberto se deverá ou não pautar no plenário a votação da indicação de Lobo. Procurados, Joesley Batista e Ciro Nogueira não se manifestaram.

A aliados, Lobo disse acreditar que não haverá entraves na tramitação no Senado e afirmou que o presidente Lula, pela experiência acumulada, não o indicaria para o cargo se não conhecesse seu trabalho.

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