O Ministério Público Federal (MPF) alterou o objeto do Inquérito Civil nº 1.13.001.000140/2019-82 para investigar um possível caso de enriquecimento ilícito envolvendo Davi Felix Cecilio, monitor bilíngue da Fundação Nacional do Índio (Funai). A mudança foi formalizada por meio de portaria assinada em 8 de agosto de 2025 pelo procurador da República Emanuel de Melo Ferreira, que atua em substituição na unidade do MPF no Amazonas.
De acordo com o documento, a apuração se concentra na suspeita de que o servidor estaria recebendo remuneração sem efetiva prestação de serviços desde o fechamento do posto da Funai na Comunidade Indígena Feijoal, em 2011, até os dias atuais. A medida, segundo o procurador, busca adequar o inquérito à realidade apurada até o momento e assegurar o cumprimento das diligências já determinadas anteriormente no despacho PRM-TAB-AM-00009499/2025.
A portaria determina que o ato seja publicado em veículo oficial e que sejam mantidos os prazos estabelecidos para a conclusão do inquérito civil, preservando as demais investigações já em andamento. Caso sejam confirmadas as irregularidades, o caso pode resultar em responsabilização administrativa e judicial por parte do servidor.
Essa não é a primeira vez que Davi Felix Cecilio, o “pastor da funai” se torna alvo de investigações. Em 2020, durante a pandemia da Covid-19, ele foi investigado pela Polícia Federal por realizar um culto religioso na aldeia indígena Feijoal, em Benjamin Constant, no Amazonas, que reuniu cerca de 400 pessoas, contrariando orientações sanitárias e medidas de restrição impostas para conter a disseminação do coronavírus. Na ocasião, o Ministério Público Federal solicitou a apuração com base no artigo 268 do Código Penal, que prevê detenção e multa para quem descumprir determinação do poder público destinada a impedir a propagação de doença contagiosa.

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