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Filiação de Menezes à oposição da filha expõe contradições e fragilidades no cenário da direita no AM

Filiação de Menezes ao Avante gera desconforto no PL, expõe divisões familiares e evidencia fragilidade partidária às vésperas da eleição
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A filiação do ex-superintendente da Suframa, Alfredo Menezes, ao partido Avante expôs, de forma pública, as contradições e fragilidades que marcam o atual cenário político do Amazonas. O movimento, que o coloca ao lado do pré-candidato ao governo David Almeida, ocorre em rota de colisão direta com o Partido Liberal (PL), legenda à qual sua filha, a deputada estadual Débora Menezes, permanece vinculada e já declarou apoio à empresária Maria do Carmo na disputa pelo Executivo estadual.

A decisão evidencia mais do que uma simples mudança partidária: revela fissuras em alianças antes consideradas consolidadas e levanta questionamentos sobre coerência política e alinhamento ideológico. Pai e filha passam, agora, a trilhar caminhos opostos em um processo eleitoral que tende a se acirrar, expondo divergências não apenas estratégicas, mas também públicas.

Nos bastidores da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), o episódio gerou constrangimento entre parlamentares do PL. A repercussão negativa ganhou força após a circulação de imagens de Menezes ao lado de Renato Junior, atual prefeito de Manaus, durante a cerimônia de filiação ao Avante. O gesto foi interpretado por integrantes da bancada liberal como um sinal claro de afastamento político — e, para alguns, de rompimento simbólico com o grupo que ainda abriga sua filha.

Do outro lado, no Avante, a chegada de Menezes também não foi suficiente para conter sinais de fragilidade interna. A legenda enfrenta perda de musculatura na Assembleia, tendo reduzido significativamente sua bancada sem conseguir atrair novos quadros políticos para recompor sua base. Nesse contexto, a filiação do ex-superintendente surge mais como tentativa de reposicionamento do partido do que como resultado de um crescimento orgânico.

Analistas políticos avaliam que o episódio escancara uma prática recorrente na política local: a flexibilização de alianças em função de interesses eleitorais imediatos, muitas vezes em detrimento de consistência programática. A divisão dentro de um mesmo núcleo familiar, embora não inédita, reforça a percepção de que projetos políticos têm se sobreposto a vínculos partidários e narrativas ideológicas.

Com a disputa pelo Governo do Amazonas se desenhando entre blocos distintos — de um lado o Avante, com David Almeida, e de outro o PL, com Maria do Carmo —, movimentos como o de Alfredo Menezes tendem a ampliar o grau de tensão e imprevisibilidade do processo eleitoral. Ao mesmo tempo, colocam em evidência os desafios de coesão interna enfrentados pelas legendas e seus principais atores.

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