Da Redação
O desmatamento na Amazônia, que vem batendo recordes consecutivos neste ano segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é ainda maior nas terras indígenas. A conclusão é do Instituto Socioambiental (ISA), que associou os dados do Inpe aos territórios indígenas e constatou que o aumento da área desmatada sobe de 30% para 80% nessas regiões. Isso porque a destruição da floresta nas terras indígenas amazônicas alcançou 42,6 mil hectares entre agosto de 2018 e julho de 2019.
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Segundo o ISA, o correspondente a 51 milhões de árvores foram abatidas nas terras indígenas nesses doze meses, quando a área desmatada no Brasil como um todo passou de 7.536 km² para 9.762 km². Lembrando que um hectare corresponde a mais ou menos um campo de futebol, o ISA sugere que é como se 42 mil campos de futebol tivessem sido desmatados apenas nas terras indígenas da Amazônia. É a maior extensão desflorestada em territórios indígenas dos últimos 11 anos, desde o início da série histórica do desmatamento.
“Também corresponde a uma alta de 174% em relação à média entre 2008 e 2018: 15,5 mil hectares. Na comparação com 2017-2018, o aumento (+80%) equivale a 2,7 vezes ao da taxa preliminar do desmatamento de toda a Amazônia (+29,5%). A situação é ainda mais grave quando lembramos que, no ano passado, a aceleração das derrubadas nas TIs já tinha crescido 124%”, revela o ISA.
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O Programa de Monitoramento de Áreas Protegidas do ISA, que analisou o impacto das queimadas em 207 terras indígenas na Amazônia, ainda constatou que 90% desse desmatamento está concentrado em apenas dez áreas demarcadas. E seis desses territórios estão no Pará – estado que também registra os maiores índices de desmatamento do Inpe, sobretudo por conta de episódios como o Dia do Fogo de Altamira. “Só 1,3% dos mais de 78 milhões de hectares das áreas estudadas foi desmatado. A grande maioria delas (75%) perdeu menos de 10% de florestas. Entretanto 20% já perderam quase metade de sua cobertura florestal e 5% praticamente não a possuem mais”, revela o ISA.
O instituto credita, então, esse aumento do desmatamento em áreas indígenas à grilagem de terras, ao garimpo ilegal e ao roubo de madeira. Sócio fundador do ISA, Márcio Santilli conclui que, por esses dados, é possível perceber que as terras indígenas que antes funcionavam como reservas protegidas dentro da Amazônia agora também estão sujeitas às práticas criminosas que têm devastado boa parte da floresta.






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