O desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), foi preso nesta terça-feira (16) pela Polícia Federal (PF). A prisão ocorreu durante a segunda fase da Operação Unha e Carne, que apura o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun.
Macário foi detido em sua residência, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Segundo a investigação, há indícios de que o magistrado tenha colaborado para o vazamento de detalhes da ação policial que tinha como alvo Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias.
De acordo com informações divulgadas pelo blog do jornalista Octavio Guedes, investigadores da PF apontam que Macário estava em um restaurante com o então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), quando este teria telefonado para TH Joias para alertá-lo sobre a operação. No celular de Bacellar, a PF encontrou trocas de mensagens entre ele e o desembargador, que embasaram a nova fase da operação.
TH Joias foi preso sob suspeita de tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, além de investigação por suposta negociação de armas para a facção criminosa Comando Vermelho (CV). Ele havia assumido mandato de deputado estadual em junho, mas perdeu o cargo após a prisão.
Nesta etapa da Operação Unha e Carne, a PF cumpriu um mandado de prisão e dez de busca e apreensão, todos expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Rodrigo Bacellar, preso na primeira fase da investigação e posteriormente solto por decisão do plenário da Alerj, voltou a ser alvo de buscas nesta terça-feira. Também foram cumpridos mandados no Espírito Santo.
Bacellar está licenciado do mandato de deputado estadual. Embora afastado da presidência da Alerj por decisão de Moraes, ele ainda poderia exercer o cargo parlamentar, mas solicitou licença um dia após deixar a prisão.
Segundo o blog da jornalista Camila Bomfim, esta não é a primeira vez que Macário Ramos Júdice Neto é investigado por supostas irregularidades no exercício da magistratura. O desembargador chegou a ficar afastado do cargo por quase 18 anos, por decisão do próprio tribunal.





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