O deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM) protocolou representações junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) pedindo investigação sobre a aplicação de recursos federais pela Prefeitura de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus.
Segundo o parlamentar, dados oficiais do Portal da Transparência indicam que o município movimentou quase R$ 1 bilhão em orçamento nos últimos cinco exercícios financeiros. Desse total, R$ 630 milhões correspondem a transferências diretas da União recebidas entre 2022 e 2025.
De acordo com o levantamento apresentado pelo deputado, os repasses federais cresceram ano a ano:
2022: R$ 130,2 milhões
2023: R$ 139,4 milhões
2024: R$ 177,1 milhões
2025: R$ 184,4 milhões — maior montante anual do período
Apesar do aumento no volume de recursos, Amom Mandel afirma que o município enfrenta problemas estruturais graves, incluindo falhas no abastecimento de água e dificuldades na gestão de resíduos sólidos.
O deputado também cita uma crise ambiental envolvendo o chamado “novo lixão” da cidade, oficialmente apresentado pela prefeitura como Parque de Soluções Ambientais. O projeto prevê a instalação de um aterro sanitário pela empresa Norte Ambiental, mas as obras estão suspensas por decisão judicial.
A paralisação foi determinada em 14 de fevereiro de 2026 após o MPAM apontar irregularidades no licenciamento ambiental. Na decisão, a Justiça indicou a ausência de certidão de viabilidade ambiental e questionou a realização da audiência pública obrigatória, que ocorreu distante da comunidade diretamente afetada.
Moradores e produtores rurais da região se manifestaram contra a implantação do aterro sanitário. Eles alegam possíveis impactos negativos sobre o turismo local e sobre a produção agrícola.
Na representação encaminhada aos órgãos de controle, Amom Mandel também menciona a evolução patrimonial do prefeito de Iranduba, Augusto Ferraz (União Brasil). Nas eleições municipais de 2024, Ferraz declarou patrimônio de R$ 8,37 milhões. Ele foi reeleito para um segundo mandato, que se estenderá até 2028.
“O volume expressivo de recursos federais impõe uma verificação rigorosa. Não basta o dinheiro entrar; ele precisa se transformar em serviço para a população, o que claramente não está ocorrendo em Iranduba”, afirmou o deputado.







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