A reunião ministerial realizada na terça-feira (31) expôs publicamente divergências internas no governo a apenas seis meses das eleições. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, aproveitou o encontro para fazer cobranças diretas ao ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidonio Palmeira.
Durante apresentação de balanço da gestão, Rui Costa questionou se “o povo sabe” das entregas realizadas pelo governo, em clara crítica à estratégia de comunicação adotada pela SECOM. A cobrança pública evidenciou tensões entre duas figuras importantes da administração federal, ambas oriundas do estado da Bahia.
Segundo o analista político Teo Cury, a percepção do ministro da Casa Civil é de que a população não tem recebido adequadamente as mensagens sobre projetos e propostas implementados pelo governo. “Com isso, há um impacto na avaliação que a população faz do trabalho do presidente Lula e do governo”, afirmou Cury, durante o CNN Novo Dia desta quarta-feira (1º).
O episódio ocorre em um momento delicado, com Rui Costa prestes a deixar o cargo para disputar uma vaga ao Senado pelo estado da Bahia. Há também expectativa de que Sidonio Palmeira deixe o Ministério da SECOM para coordenar a futura campanha eleitoral. Palmeira foi o responsável pelo marketing da campanha vitoriosa em 2022.
“Houve ontem uma responsabilização da gestão do Paulo Pimenta à frente da Comunicação. Em entrevista a alguns veículos depois, ele rebateu essas críticas feitas pelo sucessor dele na pasta”, destacou Cury.
A troca de farpas não se limitou apenas a estes dois ministros. Captações de áudio da reunião registraram comentários do ministro da Defesa, José Múcio, afirmando ter “feito mais do que o Ministério das Mulheres todinho”. “Isso traz um desgaste ainda maior, com um colega falando do trabalho de outra colega, de pastas com focos totalmente diferentes”, comenta o analista.
Segundo Cury, este cenário de divergências públicas representa um desafio adicional para o governo, que já enfrenta uma série de obstáculos e resistências em parte do eleitorado, com índices de desaprovação crescentes a poucos meses de um importante ciclo eleitoral.






Envie seu comentário