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BBB 26: Médica explica sobre a influência dos hormônios no comportamento

O que a ciência diz sobre explosões emocionais e conflitos na casa
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Convivência intensa, privação de sono, pressão constante e disputas emocionais fazem parte da rotina do Big Brother Brasil. Dentro da casa, discussões aparentemente desproporcionais e reações explosivas costumam ser atribuídas apenas à tensão do jogo, mas a ciência mostra que fatores biológicos também podem atravessar essas dinâmicas. Oscilações hormonais, somadas ao estresse e ao isolamento, podem impactar humor, percepção e tolerância emocional, ajudando a explicar por que pequenos atritos às vezes se transformam em grandes conflitos.

A conversa entre Jonas e Juliano Floss ganhou repercussão ao misturar humor e provocação. Jonas ironizou o colega ao afirmar que ele “não tinha testosterona”, mas progesterona, hormônio frequentemente associado ao organismo feminino. A fala viralizou, mas especialistas alertam que a biologia está longe de ser tão simplista.

Segundo a médica e pesquisadora Fabiane Berta, especialista em menopausa, homens e mulheres produzem diversos hormônios sexuais ao longo da vida, ainda que em concentrações diferentes.

“Testosterona e progesterona não pertencem exclusivamente a um sexo. Ambos os organismos produzem esses hormônios, que participam de funções importantes como cognição, energia, regulação do humor e desejo sexual. Reduzir comportamento a um único hormônio é um equívoco científico”, afirma.

A testosterona, frequentemente rotulada como “hormônio masculino”, está presente em ambos os sexos e exerce influência sobre libido, motivação, foco e vitalidade.

A especialista explica que a testosterona está mais relacionada com a libido, mas atualmente, nas mulheres, sua queda natural com o envelhecimento pode contribuir para sintomas como a chamada névoa mental, quadro que, quando diagnosticado corretamente, pode ser tratado com acompanhamento médico.

Já a progesterona também não é exclusiva do corpo feminino. Nos homens, embora em níveis menores, participa da síntese de outros hormônios e da produção de espermatozoides. “A ideia de que um ‘excesso’ ou ‘falta’ hormonal explicaria atitudes impulsivas não reflete a complexidade do corpo humano. Sem avaliação clínica e exames, qualquer associação é mera especulação”, destaca Berta.

Para a especialista, o BBB oferece um retrato interessante de como diferentes fases da vida podem se cruzar em um mesmo ambiente e como isso pode repercutir emocionalmente. “Quando colocamos pessoas sob estresse contínuo, com poucas horas de sono e alta carga emocional, o organismo responde. Se houver flutuações hormonais naturais dessa fase da vida, elas podem amplificar a sensibilidade e a irritabilidade, mas nunca determinar quem alguém é ou como necessariamente vai agir”, explica.

Ana Paula Renault, de 44 anos, e Sol Vega, de 47, estão em idades compatíveis com a pré-menopausa, período de transição marcado por oscilações relevantes de estrogênio e progesterona. “A pré-menopausa é uma fase de grande instabilidade hormonal. Muitas mulheres relatam mudanças de humor, alterações no sono e maior reatividade emocional. Isso não significa perda de controle, e sim um corpo em adaptação. Na mulher negra a menopausa tem mais intensidade de sintomas”, diz a médica ao comentar o embate que culminou na desclassificação de Sol Vega.

A participação de Solange Couto, de 69 anos, também chama atenção para a importância do olhar médico sobre a saúde na maturidade. A atriz já relatou desconfortos físicos dentro da casa e possui um histórico público de alterações hormonais, incluindo uma gravidez por volta dos 50 anos e tratamentos realizados sob supervisão profissional.

Hoje, como muitas mulheres na pós-menopausa, pode enfrentar efeitos associados à queda do estrogênio, como maior vulnerabilidade a infecções urinárias, consequência de alterações na mucosa vaginal e urinária. “A menopausa não é uma doença, mas adoece, sendo uma transição biológica que exige informação e cuidado. Sintomas existem e devem ser acompanhados para preservar qualidade de vida”, pontua Berta.

A especialista reforça que investigar os hormônios é um passo fundamental para compreender sinais do corpo que muitas vezes são normalizados ou interpretados de forma equivocada. “Alterações de humor, cansaço persistente, dificuldade de concentração e mudanças no sono não devem ser ignoradas nem tratadas como algo ‘natural da idade’. A avaliação hormonal permite identificar desequilíbrios, orientar tratamentos e prevenir impactos maiores na saúde e na qualidade de vida. Olhar para os hormônios com seriedade é uma forma de cuidado, e não de rotulação, baseada em evidências e acompanhamento profissional”, conclui.

Sobre Fabiane Berta:
Fabiane Berta é médica e pesquisadora (CRMSP 151.126), integrante do Science Medical Team – OB-GYN Specialist. É mestranda no setor de Climatério | Menopausa e pesquisadora adjunta no setor da Endometriose | Dor pélvica pela UNIFESP. Possui pós-graduação em Endocrinologia, Neurociências e Comportamento. É fundadora do MyPausa, iniciativa que propõe um registro nacional da menopausa nos 27 estados do Brasil para promover uma reforma na saúde feminina, com foco em acessibilidade a tratamentos atualizados e respeito à diversidade regional. Atua como PI sub e chefe do Steering Committee do Estudo MyPausa (Science Valley) e como coordenadora da Saúde Feminina para a Arnold Conference 2026.

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