ANP aprova blocos no Amazonas para futura exploração de óleo e gás
São dez blocos na Bacia do Amazonas e outros dois, na Bacia do Tacutu, em Roraima, onde não existe produção de óleo e gás e ainda há pouco conhecimento geológico.
Da Redação
Publicado 09/12/22
Foto: Divulgação
A diretoria da ANP aprovou nesta quinta (1/12) a inclusão de 12 novos blocos exploratórios na região Amazônica na oferta permanente de contratos de concessão.
São dez blocos na Bacia do Amazonas e outros dois, na Bacia do Tacutu, em Roraima, onde não existe produção de óleo e gás e ainda há pouco conhecimento geológico.
A Bacia do Amazonas começou a produzir gás natural ano passado, quando a Eneva colocou em operação o campo de Azulão. A área foi comprada da Petrobras em novembro de 2017 por US$ 54,5 milhões.
Azulão é a fonte de gás natural para a usina da companhia em Roraima e novos projetos termoelétricos contratados este ano.
Fernando Moura, diretor da ANP, afirmou que parte dos blocos incluídos foram nominados por agentes.
É possível afirmar que ao menos a Eneva esteve entre as empresas, mas os detalhes da indicação de área são sigilosos, para resguardar a competição.
Ainda de acordo com Moura, a inclusão da Bacia do Tacutu tem como “motivação principal a entrada dessa bacia no cenário de exploração nacional, de modo a incentivar soluções para o suprimento da energia elétrico no estado de Roraima”.
“Cabe salientar que, até a presente data, esse é o único estado brasileiro fora do Sistema Elétrico Integrado [SIN]”, lembrou.
Próximos passos
Agora, a agência inicia os movimentos para conseguir pareceres ambientais para a oferta das áreas. Depois, deve ser emitida uma manifestação conjunta entre os ministérios de Minas e Energia e de Meio Ambiente sobre a viabilidade de oferta das áreas.
Somente após essa etapa, as áreas podem ser colocadas em audiência pública pela agência e seguir para futuros leilões.
Na oferta permanente, além de solicitar a inclusão de blocos para estudo, são as empresas que disparam a concorrência, apontando para a ANP o interesse nas áreas.
Bacia do Tacutu é pouco conhecida
A bacia sedimentar de Tacutué representada em amarelo; azul é a área avaliada no Zoneamento Nacional de Recursos de Óleo e Gás, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE)
De acordo com o Zoneamento Nacional de Óleo e Gás, feito pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), não existem blocos exploratórios sob concessão na bacia, que tem apenas dois poços pioneiros perfurados na década de 1980, sendo o último em 1982.
No passado, a ANP contratou levantamentos geoquímicos para a região, que tem indicação de chances para a descoberta de hidrocarbonetos, incluindo petróleo e gás natural.
Novos projetos em Azulão
Em setembro, a Eneva negociou as térmicas Azulão II e IV (que somam 590 MW), dentro do complexo de geração de gás associada à produção de gás de Azulão, na Bacia do Amazonas.
A novas usinas foram contratadas no leilão criado para atender à contratação compulsória de um total de 8 GW térmicos, contrapartida do Congresso Nacional para aprovar a privatização da Eletrobras.
O campo de Azulão foi descoberto em 1999 e declarado comercial em 2004, mas até sua venda — 13 anos depois — não havia sido colocado em operação pela estatal, que chegou a estudar diversos modelos de produção para o projeto.
A Eneva desenvolveu um projeto para o campo que prevê o uso do gás produzido em Azulão na geração de energia pela termoelétrica (UTE) Jaguatirica II, de 117 MW de potência, contratada no 1º leilão para atendimento aos sistemas isolados, realizado em 2019.
O gás de Azulão é liquefeito e transportado por carretas até Boa Vista, capital de Roraima.
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