O estado do Amazonas figura entre os que mais reconheceram o status de refugiado no Brasil em 2024, respondendo por 5,1% das decisões favoráveis do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare). A maioria dos casos está concentrada em Manaus, que tem se tornado um dos principais pontos de acolhimento de estrangeiros na Região Norte, especialmente venezuelanos.
A proximidade geográfica com a fronteira e a atuação de organizações humanitárias na capital amazonense têm contribuído para que o estado desempenhe papel relevante na política migratória brasileira. O fluxo contínuo de pessoas em situação de vulnerabilidade tem pressionado os serviços públicos, mas também mobilizado redes de apoio locais.
Em toda a Região Norte, 44,4% dos pedidos de refúgio analisados no país foram concentrados nessa área, destacando sua importância estratégica no cenário migratório.
Crescimento nacional nos pedidos
Em 2024, o Brasil registrou 68.159 pedidos de refúgio, um aumento de 16,3% em relação a 2023. Os solicitantes vieram de 130 nacionalidades, com predominância de:
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Venezuelanos: 27.150 pedidos (≈ 39,8% do total)
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Cubanos: 22.288 pedidos (aumento de 94,2% em relação ao ano anterior)
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Angolanos: 3.421 pedidos
Desde 2015, o país já recebeu mais de 450 mil pedidos de refúgio.
Perfil dos solicitantes
Segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, o perfil mais comum entre os solicitantes de refúgio no Brasil em 2024 foi:
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Homens (59,1%), com destaque para a faixa etária de 25 a 39 anos
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Mulheres (40,9%), sendo que 24,3% tinham menos de 15 anos
Reconhecimentos de refúgio
O Conare reconheceu 13.632 pessoas como refugiadas em 2024. Os principais estados que realizaram reconhecimentos foram:
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São Paulo: 36,1%
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Roraima: 35,6%
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Amazonas: 5,1%
Entre os reconhecidos, 55,9% eram homens e 43,9% mulheres, com 41,8% sendo crianças ou adolescentes de até 18 anos.
Um desafio global
O aumento dos pedidos de refúgio no Brasil ocorre em meio a um cenário mundial de deslocamentos forçados. Em 2024, segundo a ONU, o número de pessoas que deixaram seus países por conflitos, perseguições e crises humanitárias atingiu 122 milhões, o maior já registrado. Na América Latina, o Brasil se soma a países como Colômbia, Peru, Chile e Equador como destino preferencial para venezuelanos.





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