O mercado de trabalho no Amazonas encerrou o quarto trimestre de 2025 com uma taxa de desocupação de 7,3%, apresentando uma trajetória de queda em relação aos 8,3% registrados no ano anterior. O nível de ocupação atingiu 56,8%, enquanto a taxa de participação na força de trabalho ficou em 61,3%, refletindo um cenário de estabilidade estatística na comparação anual. Entre as principais atividades econômicas, o setor de Administração pública, educação e saúde manteve-se como o maior empregador, com 404 mil pessoas, enquanto o Comércio destacou-se pelo maior crescimento anual, somando 33 mil novos trabalhadores. Por outro lado, o setor de Agricultura enfrentou a maior retração no período, com a perda de 45 mil postos de trabalho em doze meses.
No panorama da informalidade, o estado registrou um índice crítico de 51,5%, o que representa cerca de 938 mil pessoas trabalhando sem proteção social ou registro formal. Este contingente é composto majoritariamente por trabalhadores por conta própria sem CNPJ (478 mil) e empregados do setor privado sem carteira, categoria esta que saltou 29,4% em um ano. Com esse resultado, o Amazonas detém a 6ª maior taxa de informalidade do Brasil, situando-se 12,7 pontos percentuais acima da média nacional de 38,8% e acompanhando a tendência da região Norte, que possui o maior índice de informalidade do país, fixado em 53,1%.
Foi a segunda menor taxa de desocupação da série histórica iniciada em 2012. Os dados são da PNAD Contínua Trimestral, referente ao 4º Trimestre de 2025, divulgada hoje (20/02) pelo IBGE.
Destaques:
· A taxa de desocupação no Amazonas recuou para 7,3%, apresentando uma redução de 1,0 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024, quando o índice era de 8,3%.
· O nível de ocupação no estado foi estimado em 56,8%, o que representa um crescimento de 1,3 ponto percentual na comparação anual contra os 55,5% registrados anteriormente.
· A taxa de participação na força de trabalho atingiu 61,3%, mantendo um quadro de estabilidade estatística em relação ao fechamento do ano de 2024, que apresentava 60,6%.
· O rendimento médio real habitual do trabalhador amazonense subiu para R$ 2.695, configurando uma valorização real expressiva de 7,1% em comparação ao final do ano anterior.
· O setor de Comércio e reparação de veículos foi o destaque positivo, apresentando o maior aumento anual com acréscimo de 33 mil novos trabalhadores no estado.
· Em contrapartida, o grupamento de Agricultura, pecuária e pesca registrou a maior retração, com a perda de 45 mil postos de trabalho em comparação ao quarto trimestre de 2024.
· A taxa de informalidade no Amazonas permanece crítica em 51,5%, o que coloca o estado com a 6ª maior proporção de informais entre todas as unidades da federação.
· O contingente de empregados no setor privado sem carteira assinada saltou para 268 mil, registrando uma alta de 29,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Taxas
A Taxa de Desocupação no Amazonas encerrou o quarto trimestre de 2025 em 7,3%. Este resultado aponta para uma trajetória de melhoria no mercado de trabalho regional, apresentando uma redução de 0,3 ponto percentual em comparação ao trimestre anterior (7,6%). Quando confrontada com o mesmo período de 2024, a queda é ainda mais expressiva, atingindo 1,0 ponto percentual de diferença em relação aos 8,3% registrados anteriormente.
O Nível da Ocupação, que reflete a parcela da população em idade de trabalhar que está efetivamente empregada, fixou-se em 56,8% ao final de 2025. Embora tenha ocorrido um recuo de 1,3 ponto percentual em relação ao terceiro trimestre de 2025 (58,1%), o indicador demonstra resiliência no longo prazo. Na comparação anual, o nível de ocupação atual supera os 55,5% registrados no quarto trimestre de 2024, representando um crescimento real de 1,3 ponto percentual no intervalo de um ano.
A Taxa de Participação na Força de Trabalho registrou o índice de 61,3% no fechamento do ano. Esse percentual indica uma retração de 1,6 ponto percentual comparado ao trimestre imediatamente anterior (julho-agosto-setembro), quando a participação era de 62,9%. Apesar dessa oscilação negativa recente, o indicador permanece em patamar superior ao observado no mesmo período do ano anterior, apresentando uma variação positiva de 0,7 ponto percentual em relação aos 60,6% reportados no quarto trimestre de 2024. A Taxa de Participação na Força de Trabalho, corresponde ao percentual de pessoas na força de trabalho em relação às pessoas em idade de trabalhar.

Condição em relação à força de trabalho
O total da população com 14 anos ou mais de idade no Amazonas foi estimado em 3.204 mil pessoas no quarto trimestre de 2025. Este número representa uma redução de 16 mil pessoas em comparação ao trimestre anterior (jul-ago-set/2025), quando o total era de 3.220 mil. Em relação ao mesmo período de 2024, houve um crescimento de 0,03%, o que estatisticamente caracteriza um quadro de estabilidade populacional nessa faixa etária ao longo de um ano.
O grupo na força de trabalho totalizou 1.964 mil pessoas no encerramento de 2025. Dentro deste contingente, a grande maioria é composta por pessoas Ocupadas, que somaram 1.820 mil indivíduos. Por outro lado, o subitem das pessoas Desocupadas registrou 144 mil pessoas. Comparado ao trimestre imediatamente anterior, a força de trabalho apresentou uma retração de 3,1% (menos 62 mil pessoas), impulsionada tanto pela queda de 52 mil no número de ocupados quanto pela redução de 10 mil no número de desocupados.
Já a população classificada como Fora da força de trabalho somou 1.240 mil pessoas no quarto trimestre de 2025. Este indicador apresentou um crescimento de 3,8% em relação ao terceiro trimestre de 2025, o que significa que 46 mil pessoas migraram para a inatividade no período. No entanto, quando comparado ao quarto trimestre de 2024, observa-se uma redução de 1,8% (menos 22 mil pessoas), mantendo o indicador em um patamar de estabilidade estatística na comparação anual.

Posição na ocupação, setor e categoria
O contingente de empregados totalizou 1.143 mil pessoas no período. Dentro desta categoria, o setor privado (exclusive trabalhadores domésticos) abrangeu 723 mil pessoas, sendo que 455 mil possuíam carteira de trabalho assinada e 268 mil atuavam sem carteira. Os trabalhadores domésticos somaram 80 mil pessoas, com uma predominância marcante da informalidade, já que 69 mil não tinham carteira assinada contra apenas 12 mil formalizados. Já o setor público registrou 340 mil pessoas, composto por 176 mil militares ou funcionários públicos estatutários, 150 mil empregados sem carteira e uma pequena parcela de 13 mil com carteira assinada.
A categoria de empregador reuniu 47 mil pessoas no estado. Desse total, a maior parte possui registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), somando 31 mil indivíduos. Os demais 16 mil empregadores atuavam sem o registro formal do CNPJ. Em termos comparativos, este grupo apresentou um crescimento de 4,2% em relação ao trimestre anterior e de 4,0% em relação ao mesmo período de 2024, indicando um aumento na atividade empreendedora que gera outros postos de trabalho.
O grupo dos trabalhadores por conta própria totalizou 522 mil pessoas, representando uma das parcelas mais expressivas da força de trabalho ocupada. No entanto, este segmento é caracterizado por uma baixa formalização, uma vez que 478 mil desses trabalhadores não possuem CNPJ, enquanto apenas 44 mil estão devidamente registrados. O item apresentou uma retração de 4,1% em relação ao trimestre de julho a setembro de 2025, o que resultou na saída de 22 mil pessoas dessa condição no período.
Por fim, o trabalhador familiar auxiliar contabilizou 107 mil pessoas no quarto trimestre de 2025. Este indicador apresentou a queda mais acentuada entre todas as posições na ocupação, com um recuo de 8,0% em relação ao trimestre anterior (menos 9 mil pessoas) e uma redução severa de 18,0% na comparação anual contra o final de 2024 (menos 23 mil pessoas). Essa tendência de redução pode indicar uma transição desses trabalhadores para outras formas de ocupação remunerada ou uma retração em atividades econômicas familiares.
Atividades
No quarto trimestre de 2025, o grupamento de atividade com a maior quantidade de pessoas ocupadas no Amazonas foi o de Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, totalizando 404 mil trabalhadores. O maior aumento absoluto de trabalhadores no período foi observado no setor de Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, que saltou de 314 mil no terceiro trimestre para 337 mil no quarto trimestre, um acréscimo de 23 mil pessoas. Em contrapartida, a maior diminuição de trabalhadores ocorreu na Indústria geral, que apresentou uma queda de 22 mil ocupados, passando de 239 mil para 217 mil pessoas entre os dois últimos trimestres do ano.
O setor de Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas apresentou o maior crescimento absoluto e percentual no confronto anual, com um aumento de 33 mil pessoas. Esse incremento representa uma alta de 11,0% em relação ao quarto trimestre de 2024, quando o setor ocupava 304 mil pessoas. Outro destaque positivo foi o grupamento de Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que registrou a maior expansão em termos absolutos, incorporando 36 mil novos trabalhadores (+9,9%) em um ano. Além destes, a Construção apresentou um crescimento de 12,3%, o que equivale a um acréscimo de 13 mil pessoas em sua força de trabalho.
Em contrapartida, a maior perda absoluta ocorreu no grupamento de Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, que reduziu seu contingente em 45 mil pessoas. Em termos percentuais, essa queda foi de 16,1%, passando de 277 mil ocupados no final de 2024 para 233 mil no final de 2025. Outra retração relevante foi observada no setor de Transporte, armazenagem e correio, que registrou a maior queda percentual entre os serviços, com recuo de 11,3%, o que representa uma perda de 13 mil postos de trabalho no período. Já a Indústria geral manteve-se tecnicamente estável na comparação anual, apresentando uma variação de 0% e mantendo o patamar de 217 mil ocupados.

Informalidade
No quarto trimestre de 2025, a taxa de informalidade no Brasil foi de 38,8%, refletindo as disparidades estruturais entre as grandes regiões do país. A região Norte registrou o maior índice de informalidade, atingindo 53,1%, seguida de perto pelo Nordeste, com 51,8%, ambos situando-se significativamente acima da média nacional. Em contrapartida, a região Sul apresentou a menor taxa de informalidade do período, com 30,6%, valor este que, junto aos índices do Sudeste (33,4%) e do Centro-Oeste (37,9%), posiciona as regiões mais ao sul e sudeste abaixo do patamar nacional de informalidade.
Ao analisar a informalidade por unidade da federação, o Maranhão liderou com a maior taxa do país, atingindo 57,3% (correspondendo a cerca de 1,4 milhão de pessoas), seguido pelo Piauí, com 55,4% (712 mil pessoas), e pelo Pará, com 54,8% (2,1 milhões de pessoas). No extremo oposto, as menores taxas de informalidade foram registradas em Santa Catarina, com apenas 26,4% (1,05 milhão de pessoas), no Distrito Federal, com 29,7% (468 mil pessoas), e em São Paulo, que, apesar da baixa taxa de 30,9%, possui o maior contingente absoluto do país devido ao tamanho de sua economia, totalizando 7,4 milhões de pessoas em situação de informalidade.
Panorama da Informalidade no Estado
No encerramento de 2025, o Amazonas registrou uma taxa de informalidade de 51,5%. Este percentual significa que, de um total de 1.820 mil pessoas ocupadas, aproximadamente 938 mil exerciam atividades informais. Este índice coloca o estado em uma posição crítica, ocupando a 6ª maior taxa de informalidade entre todas as Unidades da Federação do Brasil.
A precariedade das ocupações no estado é evidenciada pela distribuição dos trabalhadores em categorias com baixa proteção social:
- Trabalhadores por conta própria sem CNPJ: Representam o maior volume da informalidade local, totalizando 478 mil pessoas.
- Empregados do setor privado sem carteira: Esta categoria somou 268 mil pessoas, apresentando um crescimento expressivo de 29,4% em relação ao mesmo período de 2024.
- Trabalhadores Familiares Auxiliares: Contabilizaram 107 mil pessoas, embora este grupo tenha registrado uma queda de 18% na comparação anual.
- Trabalhadores Domésticos sem carteira: Somam 69 mil pessoas, evidenciando que a informalidade atinge massivamente este setor (apenas 12 mil possuem carteira assinada no estado).
A situação do Amazonas reflete a realidade da região Norte, que detém a maior taxa de informalidade do país (53,1%). Enquanto a média do Brasil ficou em 38,8%, o Amazonas se distancia negativamente deste patamar, ficando 12,7 pontos percentuais acima da média nacional. Comparado a estados com mercados de trabalho mais formais, como Santa Catarina (26,4%), a taxa amazonense é quase o dobro, ressaltando a dependência de atividades econômicas menos estruturadas na região amazônica.
Rendimento médio mensal real
O Rendimento médio mensal real habitual de todos os trabalhos conceitua-se como o valor bruto médio recebido pelas pessoas ocupadas em seus postos de trabalho, ajustado pela inflação para o mês central do trimestre divulgado, servindo como termômetro do poder de compra da remuneração no mercado local. No IV Trimestre de 2025, esse rendimento no Amazonas atingiu R$ 2.695, o que representa uma alta de 2,9% (um acréscimo nominal de R$ 75) em relação ao trimestre de julho-setembro de 2025, quando o valor era de R$ 2.620. Em uma perspectiva de longo prazo, o crescimento é ainda mais acentuado, com uma valorização real de 7,1% em comparação ao mesmo período de 2024, quando a média era de R$ 2.515, evidenciando um ganho real acumulado de R$ 180 no intervalo de um ano.
Massa de rendimentos
A Massa de rendimento mensal real habitual de todos os trabalhos conceitua-se como a soma total dos rendimentos brutos recebidos por todas as pessoas ocupadas no mercado de trabalho, ajustada pela inflação para os preços do mês central do trimestre mais recente, servindo como um indicador do volume total de recursos financeiros injetados na economia através do trabalho. No quarto trimestre de 2025, a massa de rendimento no Amazonas atingiu o montante de R$ 4.6 bilhões, o que representa uma estabilidade com viés de crescimento de 0,4% (um acréscimo de R$ 19 milhões) em relação ao trimestre imediatamente anterior (jul-ago-set/2025), quando o valor era de R$ 4.5 bilhões. Quando comparada ao mesmo período de 2024 (4.1 bilhões), a expansão é significativamente maior, registrando um aumento real de 11,3%, o que equivale a uma injeção adicional de R$ 469 milhões na economia amazonense no intervalo de um ano.
Taxa Composta de Subutilização da Força de Trabalho
De acordo com a metodologia da PNAD Contínua do IBGE, a População Subutilizada é um indicador abrangente que busca medir a carência de trabalho na sociedade, indo além da simples taxa de desocupação (desemprego). A taxa de subutilização oferece um diagnóstico mais fiel da saúde do mercado de trabalho. Muitas vezes, a taxa de desemprego pode cair apenas porque as pessoas pararam de procurar emprego (desalento), o que não significa que a situação melhorou. A subutilização “captura” essas pessoas que o indicador de desemprego tradicional ignora.
A População Subutilizada Total no 4º trimestre de 2025 foi de 303 mil pessoas. Para calcular a taxa, divide-se esse valor pela Força de Trabalho Ampliada (soma da População na Força de Trabalho (1.964 mil) com a Força de Trabalho Potencial (104 mil), totalizando 2.068 mil pessoas. O resultado é uma taxa de 14,65%. Em comparação ao trimestre anterior (3º trimestre de 2025), observa-se uma melhora no indicador, já que a população subutilizada recuou de 311 mil para 303 mil pessoas, uma variação negativa de 2,5%. Essa redução sugere uma leve absorção da mão de obra ou diminuição da carência de horas trabalhadas no estado no encerramento do ano.
Pessoas Desalentadas na Força de Trabalho
A População Desalentada somou 51 mil pessoas no 4º trimestre de 2025. Ao calcular sua representatividade frente à Força de Trabalho Ampliada (2.068 mil pessoas), o percentual de desalentados é de 2,47%. Ao comparar com o 3º trimestre de 2025, houve um aumento no contingente de pessoas em situação de desalento, que subiu de 44 mil para 51 mil, representando um crescimento expressivo de 15,9% (aproximadamente, conforme os valores absolutos). Esse movimento indica que, embora a subutilização geral tenha caído, um grupo maior de pessoas desistiu de procurar emprego por acreditar que não encontraria ocupação, o que acende um alerta sobre a confiança do trabalhador no mercado local.
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