Luiz Phillipi Mourão, suspeito de articular medidas contra desafetos do banqueiro Daniel Vorcaro, foi internado em estado gravíssimo hoje em um hospital de Belo Horizonte (MG).
O que aconteceu
Mourão tentou tirar a própria vida na prisão, foi levado ao hospital e já foi aberto um protocolo de morte cerebral. A PF informou que ele foi socorrido por equipes da corporação e encaminhado ao hospital João 23, em Belo Horizonte, onde está internado no CTI (Centro de Tratamento Intensivo)
Advogado da família disse a jornalistas que o estado de saúde de Mourão não foi confirmado. “Os pais estão aqui desde às 18h30 e desde então nenhum médico aparece para prestar qualquer tipo de esclarecimento formalmente para o pai, mãe ou pessoas próximas”, afirmou Robson Lucas da Silva na noite de hoje, na porta do hospital.
PF apura tentativa de suicídio: “Está tudo filmado”, diz diretor-geral da PF. Andrei Rodrigues afirmou à coluna de Carla Araújo que “toda a ação dele e o atendimento pelos policiais estão filmados sem pontos cegos”. Ele informou que a investigação é de praxe em situações como essa.
Em nota, a defesa afirmou também que esteve com Mourão até por volta das 14h, “quando ele se encontrava em plena integridade física e mental”. “A informação sobre o incidente de supostamente ter atentado contra a própria vida foi conhecida após a nota de esclarecimento emitida pela Polícia Federal”, diz o texto, assinado por Robson Lucas e Vicente Salgueiro.
PF emitiu nota sobre a internação do preso hoje à noite. A corporação disse que dados do estado de saúde do preso serão informados “após atualização da equipe médica”.
Mourão havia sido preso na Operação Compliance Zero. De acordo com a Polícia Federal, Mourão liderava um grupo que monitorava alvos e planejava ações de intimidação contra desafetos de Vorcaro, também preso hoje.
Ele era chamado de “Sicário” (matador de aluguel) pelo banqueiro. No celular de Vorcaro foram encontradas mensagens em que os dois planejam um assalto para “dar um pau” e “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Em nota, Vorcaro afirmou que “jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto”.
O grupo tinha acesso a bases de dados oficiais, segundo a PF. Mourão seria o responsável por acessar sistemas da PF e até do FBI para levantar informações de pessoas a mando de Vorcaro.
Mourão era réu em outra investigação por lavagem de dinheiro e organização criminosa em Minas Gerais. Segundo as investigações, ele e outros dez denunciados criaram um esquema de pirâmide para atrair investidores de todo o país.
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público de MG e aceita pela Justiça em 2021. Segundo o órgão, o grupo publicava anúncios na internet e redes sociais, com “propagação de afirmações sabidamente falsas”, para oferecer serviços de assessoria e operação de investimentos.
Esquema funcionou entre 2018 e 2021. Segundo as investigações, a organização criminosa era dividida em três núcleos e atuava por meio de empresas de fachada. O MP afirma que é “impossível precisar o número exato de vítimas” e que centenas procuraram a Justiça para tentar reaver os valores investidos.
Investigação identificou movimentações atípicas de Mourão. Ele movimentou R$ 24,9 milhões em uma conta bancária entre junho e julho de 2021. Uma das empresas dele, a King Motors, movimentou R$ 3,3 milhões.
Centro de Valorização da Vida
Caso você esteja pensando em cometer suicídio, procure ajuda especializada como o CVV (Centro de Valorização da Vida) e os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) da sua cidade. O CVV funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil.







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