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Colunista

José Melo

A vaca desconhecendo o bezerro: o Brasil em ano de eleição

Um amigo meu de Tefé, que já não está mais neste plano, costumava dizer que, quando se aproximava uma eleição, era a hora em que “a vaca desconhecia o bezerro”. As medidas que o governo federal vem tomando nos últimos anos, embora apresentadas como bem intencionadas, têm como verdadeiro objetivo as próximas eleições gerais, a qualquer custo: gastar sem controle para conquistar o povo e vencer nas urnas.

De outro lado, o Congresso Nacional não só não reduz despesas, como também tem contribuído para agravar ainda mais a crise fiscal e financeira do país. Exemplos disso são os “jabutis” inseridos em projetos enviados pelo próprio governo — como o caso da energia elétrica, que resultará, ao longo de sua vigência, em um custo adicional de 190 bilhões de reais na conta de luz de todos nós. Soma-se a isso a prorrogação do Perse (subsídio ao setor de eventos), com impacto de mais 15 bilhões de reais, e a elevação da participação do governo federal no Fundeb, que subiu de 10% para 21%, de forma escalonada, retirando cerca de 6 bilhões de reais por ano do orçamento.

Insatisfeitos com o Fundo Partidário — que, em 2024, foi de 1 bilhão e 368 milhões de reais — e com o Fundo Eleitoral — de 5 bilhões no ano passado — os parlamentares
seguem com apetite insaciável sobre as emendas parlamentares.

Cada deputado federal tem direito a aproximadamente 37 milhões de reais em emendas por ano, enquanto os senadores dispõem de cerca de 69 milhões. E não para por aí:
ainda existem as emendas de bancada, com cifras estratosféricas.

Do lado do governo, que evita a qualquer custo o corte de gastos por temer o desgaste político, a conta só aumenta. As soluções parecem depender de um milagre: déficit da
Previdência, descontrole nos gastos com o BPC, rombos nas estatais, gastos “secretos”, inflação corroendo o poder de compra da população e taxas de juros elevadas que
ampliam tanto a dívida pública quanto as nossas dívidas pessoais.

Como nem o governo nem o Congresso querem assumir o desgaste necessário, os problemas vão sendo “empurrados com a barriga”, enquanto a conta, qualquer que seja
o desfecho, acabará sendo paga por nós — o povo.

Governo fraco, Congresso forte, vaca desconhecendo o bezerro.

Manaus, 01 de julho de 2025

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