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Dólar sobe 8% e Bolsa tem maior queda desde a pandemia após vitória de Lula

Divisa norte-americana fecha a R$ 5,40 em sessão conturbada; circuit breaker foi acionado na Bolsa brasileira pela primeira vez desde 2020
Foto: Divulgação

O Ibovespa fechou em forte queda nesta segunda-feira (26), na maior perda percentual desde março de 2020, período marcado pelo início da pandemia de Covid-19.

A Bolsa paulista finalizou o dia com queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. No pior momento, o Ibovespa apurou queda de mais de 17%, a 169.516,43 pontos.

O petista venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) por 51,79% a 48,21% dos votos válidos, uma diferença de 4,4 milhões de votos. O resultado frustrou as expectativas de investidores que vinham se posicionando para uma vitória de Flávio, especialmente após o senador liderar a apuração no primeiro turno.

No mercado de câmbio, o dólar fechou em forte alta nesta sessão, com valorização de 8,36% ante o real, a R$ 5,406.

Na abertura, a moeda norte-americana chegou a subir 12,52%, alcançando R$ 5,60.

A sessão foi marcada por um circuit breaker na Bolsa paulista, em meio a uma forte reprecificação das ações brasileiras. Segundo a B3, devido a alta volatilidade no mercado brasileiro, o circuit breaker foi acionado pela primeira vez desde a pandemia de Covid-19, em 2020.

“O descompasso de expectativas do mercado em relação ao resultado das urnas resultou em um movimento generalizado de liquidação na bolsa, evidenciando a cautela dos investidores em relação às futuras diretrizes econômicas e fiscais do país”, explica Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

Por meia hora, a renda fixa privada e opções referenciadas em ações, BDR, Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50, Índice Small Cap e ETFs tiveram negócios paralisados.

Já o Ibovespa futuro com vencimento em 16 de dezembro de 2026 chegou a desabar mais de 17% nos primeiros negócios com o mercado já reagindo ao último domingo de pleito deste ano.

Às 11h02, após uma paralisação, a taxa do DI para janeiro de 2031 atingiu a máxima intradia de 15,940%, em alta de 330 pontos-base ante o ajuste de sexta-feira.

No fechamento, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,8%, em alta de 194 pontos-base ante o ajuste de 12,859% da última sexta-feira, antes do segundo turno.

Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2031 estava em 15,185%, com elevação de 254 pontos-base ante 12,642%.

A queda atingiu diferentes segmentos do mercado acionário brasileiro. O índice do setor imobiliário fechou o dia com recuo de 28,63%, enquanto o índice de consumo caiu 26,14%. Já o índice de Small Caps, que reúne empresas de menor capitalização, registrou baixa de 26,52%.

Reação negativa às eleições de 2026

O principal indicador do mercado brasileiro de ações reage ao resultado eleitoral do último domingo, que confirmou o quarto mandato de Lula. A eleição contrariou as expectativas dos acionistas, que apostavam na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL).

O anseio do mercado pelo candidato da oposição foi ancorada, principalmente, nas pesquisas de segundo turno eleitoral, que mostravam o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ligeiramente à frente.

Lula conseguiu 51,79% dos votos, se reelegendo pela segunda vez e renovando o seu próprio recorde de presidente mais votado da história.

Segundo Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, o mercado precificou e se preparou para uma mudança de governo, na espera por anos mais “racionais” em relação ao controle de gasto e perfil de dívida pública.

“Entretanto, com o cenário consumado da reeleição do Lula, os investidores globais cortam suas expectativas para mais 4 anos do mesmo perfil de governo que levou o Brasil a um dos juros reais mais altos do mundo. É por isso que a bolsa cai tanto hoje”, afirmou.

 

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