A formação de um mercado secundário de ativos do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026 ganhou novos capítulos nas últimas semanas. Após a Âmbar Energia, do grupo J&F, firmar uma opção de compra sobre projetos da Evolution Power Partners (EPP), empresas como Eneva e Origem Energia também passaram a avaliar aquisições de empreendimentos contratados no certame.
Segundo fontes do setor ouvidas pela reportagem da CNN, o movimento reforça a rápida negociação de ativos entre empresas vencedoras do leilão e grupos com maior capacidade financeira e operacional.
Nos bastidores, agentes do mercado avaliam que parte significativa dos projetos já foi contratada com perspectiva de posterior reciclagem dos ativos. O cenário envolve, principalmente, empreendimentos de menor porte, entre 30 megawatts (MW) e 50 MW, arrematados por empresas sem tradição operacional no segmento termelétrico.
“Muita gente entrou no leilão pensando em vender os projetos depois”, afirmou uma fonte do setor, sob condição de anonimato.
A movimentação ocorre poucas semanas após a realização do LRCap e amplia o debate sobre os incentivos econômicos criados pelo certame. Especialistas avaliam que os preços contratados ficaram suficientemente atrativos para estimular estratégias focadas na originação e posterior venda dos projetos, em vez da implantação direta pelas empresas vencedoras.
Como resultado, o setor passou a registrar negociações entre participantes do leilão e grupos mais capitalizados, interessados em assumir os empreendimentos.
Os projetos com início de operação previsto para 2028 são considerados os mais desafiadores pelo mercado. A principal preocupação envolve a escassez global de equipamentos para termelétricas, especialmente turbinas e grandes componentes industriais, o que pressiona prazos e custos de implantação.
Nesse contexto, empresas menores — conhecidas no setor como “developers”, voltadas à estruturação inicial dos empreendimentos — passaram a buscar parcerias estratégicas ou mecanismos de alavancagem financeira. Entre as alternativas está o uso do próprio valor do projeto para atrair investidores, financiamentos ou novos sócios capazes de viabilizar a construção das usinas.
Procurada, a Eneva informou que não comentaria o assunto. Já a Origem Energia não respondeu aos contatos da reportagem.
Entrada de grandes grupos pode reduzir riscos
Apesar das discussões sobre a formação do mercado secundário, agentes do setor avaliam que a entrada de empresas de maior porte pode reduzir o risco de atraso ou descumprimento dos contratos firmados no leilão.
Na avaliação dessas fontes, grupos como Eneva, Origem e Âmbar Energia possuem maior capacidade técnica, financeira e operacional para executar os projetos, especialmente em um cenário marcado por dificuldades no fornecimento de equipamentos e incertezas relacionadas ao suprimento de gás natural.
Leilão segue sob pressão
O avanço das negociações ocorre em meio ao aumento da pressão sobre o LRCap. O Tribunal de Contas da União (TCU) apura riscos envolvendo as chamadas “geradoras de papel”, expressão utilizada pelo ministro Bruno Dantas para se referir a empresas sem histórico comprovado na execução de grandes projetos de geração.
O tema também repercute no Congresso Nacional. O deputado Danilo Forte (PP-CE) apresentou relatório de audiência pública defendendo a suspensão do certame.
Leia mais:
Hantavírus reacende alerta no Brasil e exige prevenção em viagens, áreas rurais e ambientes fechados








Envie seu comentário