A pré-candidata ao governo do Amazonas, Maria do Carmo (PL), criticou o anúncio de obras na BR-319 e classificou a iniciativa como “teatro político”. As declarações foram feitas em meio à repercussão recente sobre a retomada de intervenções na rodovia.
Segundo a pré-candidata, o tema costuma ganhar visibilidade apenas em períodos eleitorais. “Só lembram da BR-319 quando começa a ouvir o barulho da eleição chegando”, afirmou. Para ela, o Amazonas segue sendo tratado como “quintal esquecido do Brasil”.
Maria do Carmo também questionou a efetividade dos anúncios. “Papel na mão não liga o Amazonas ao Brasil, não resolve isolamento, não baixa custo de vida e não muda a realidade de quem sofre há décadas”, declarou.
As críticas, no entanto, ocorrem em um contexto que envolve o principal aliado político da pré-candidata, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante seu mandato, Bolsonaro também prometeu avançar com a reconstrução e pavimentação da BR-319, considerada estratégica para a ligação terrestre entre Manaus e o restante do país.
Apesar das reiteradas declarações e visitas à região ao longo do governo, a obra não foi concluída nem teve avanços estruturais significativos durante a gestão do ex-presidente, permanecendo como uma das principais demandas históricas do Amazonas.
A rodovia, que liga Manaus a Porto Velho, enfrenta entraves ambientais, jurídicos e logísticos há décadas. Especialistas apontam que a complexidade do licenciamento e os impactos ambientais na região amazônica são fatores centrais para a morosidade das obras.
O novo anúncio do governo federal reacendeu o debate político no estado, colocando a BR-319 novamente no centro das discussões sobre infraestrutura, desenvolvimento regional e promessas eleitorais ainda não cumpridas.
Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro assegurou, que a rodovia BR-319 será asfaltada, mas sem dar prazos ou detalhes sobre o projeto. Envolta em uma novela que se arrasta há décadas, a estrada surgiu com a proposta de integrar Amazonas e Rondônia ao resto do Brasil, mas sofre com falta de estrutura para tráfego.
O anúncio foi feito durante a participação de Bolsonaro na reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS), em Manaus. Diante do superintendente da autarquia que administra a Zona Franca – grande beneficiária do funcionamento integral da BR – o Presidente da República, em discurso, destacou que as obras acontecerão “com toda a certeza”.
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