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Mistura maior de etanol na gasolina reposiciona mercado e impulsiona inovação no setor de combustíveis

Mudança regulatória amplia demanda por eficiência logística e integração operacional no setor, analisa economista Paulo Narcélio, administrador da Terrana
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A proposta de ampliar o percentual de etanol anidro misturado à gasolina no Brasil, atualmente em 27% (E27) para patamares próximos de 30% (E30) ganha força em 2026 como parte da estratégia nacional de segurança energética e transição para uma matriz mais limpa. A medida vem sendo discutida no âmbito do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e apoiada por diretrizes do Ministério de Minas e Energia, que buscam reduzir a dependência de combustíveis fósseis e ampliar o uso de biocombustíveis. Nesse cenário, distribuidoras que já operam com maior integração logística e controle operacional saem na frente, avalia Paulo Narcélio Simões Amaral, economista e especialista no setor de combustíveis.

Do ponto de vista ambiental, o etanol de cana-de-açúcar brasileiro apresenta baixa intensidade de carbono, contribuindo diretamente para as metas do RenovaBio. Além disso, o aumento da mistura tende a reduzir a necessidade de importação de gasolina A, favorecendo a balança comercial.

Desafios técnicos e logísticos exigem adaptação da cadeia de combustíveis

Apesar dos benefícios, a transição para o E30 envolve desafios técnicos e operacionais relevantes. Um dos principais pontos é a chamada “blend wall”, ou barreira de mistura, que limita o aumento do etanol em função da compatibilidade de motores e da infraestrutura de distribuição.

No Brasil, a predominância de veículos flex fuel favorece a adoção de percentuais mais elevados. Ainda assim, há preocupação com a frota mais antiga e com o impacto no consumo, já que o etanol possui cerca de 70% da densidade energética da gasolina.

Do ponto de vista logístico, o aumento da mistura exige maior controle sobre armazenamento, transporte e qualidade do combustível. O etanol é higroscópico, o que demanda infraestrutura adequada para evitar contaminações e perdas ao longo da cadeia. Nesse contexto, a atuação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) se intensifica, com foco em fiscalização, qualidade e conformidade regulatória.

Integração logística e eficiência operacional impulsionam distribuidoras como a Terrana Energia

A nova dinâmica do mercado tem elevado o nível de exigência sobre distribuidoras, que passam a atuar como gestoras de cadeias logísticas cada vez mais complexas. A Terrana Energia tem apostado na integração da logística com seus clientes, utilizando planejamento de demanda, otimização de rotas e maior previsibilidade como diferenciais competitivos.

Esse modelo se torna ainda mais relevante com o aumento da participação do etanol, que exige controle mais rigoroso de qualidade e eficiência na distribuição. A proximidade com setores como o agronegócio e o transporte rodoviário também permite respostas mais ágeis às oscilações de mercado.

Para Paulo Narcélio, a combinação entre mudanças regulatórias, pressão por sustentabilidade e necessidade de eficiência deve acelerar a profissionalização do setor. “Nesse cenário, a logística energética passa a ser um ativo estratégico, destacando-se no setor”, afirma ele

Brasil avança mais rápido que os EUA na mistura de etanol e consolida liderança

A comparação internacional evidencia a vantagem competitiva brasileira. Enquanto o país avança na discussão do E30, os Estados Unidos ainda enfrentam desafios para expandir o uso do E15, devido a entraves regulatórios, limitações de infraestrutura e resistência do mercado.

Nos EUA, o etanol é produzido principalmente a partir do milho e enfrenta questionamentos ambientais, além de restrições sazonais relacionadas à volatilidade do combustível. Já o Brasil se beneficia de uma cadeia mais eficiente e de uma frota amplamente adaptada.

Novo ciclo do setor combina sustentabilidade, eficiência e estratégia logística

O avanço da mistura de etanol na gasolina representa mais do que uma mudança regulatória: trata-se de uma transformação estrutural do setor de combustíveis. A tendência é que a competitividade esteja cada vez mais associada à eficiência logística, à integração de dados e à capacidade de adaptação.

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