Responsável pela portaria de um condomínio na Praia Brava, em Florianópolis, onde cão Orelha foi assassinado, o funcionário negou possuir qualquer imagem dos maus-tratos que levaram à morte do cão Orelha, vítima de agressões praticadas por quatro adolescentes. Segundo uma nota divulgada e assinada pelo advogado Marcos Vinícius de Assis dos Santos, ele teria sido coagido por parentes dos envolvidos. A defesa reiterou que “jamais houve, por parte do porteiro, qualquer filmagem do ocorrido”.
Na mesma manifestação encaminhada ao Floripa Mil Grau, o advogado sustentou ainda que “o que se está fazendo é colocar um trabalhador sério, honesto, com mais de 13 anos de atuação sem qualquer intercorrência em sua atividade laborativa, como testemunha ocular de um fato não presenciado”.
De acordo com a defesa, o porteiro já havia comunicado anteriormente episódios de “arruaças, algazarras e confusões” envolvendo adolescentes. Essas ocorrências teriam sido repassadas à administração do condomínio nos meses que antecederam a morte do cão Orelha.
Após o episódio de violência contra o cão comunitário, a defesa afirma que o porteiro passou a sofrer constrangimentos e intimidações no próprio local de trabalho, atribuídos à administração do condomínio.
Além de receber uma advertência por escrito, ele teria sido repreendido verbalmente. Segundo a defesa, o caso culminou “na imposição compulsória de férias, sem prévio aviso legal, e ameaças por parte dos familiares dos adolescentes supostamente envolvidos no ocorrido”.
Ainda de acordo com a nota, “mesmo tendo esclarecido tudo isso, ele foi alvo de violações à sua liberdade, intimidade, privacidade, moral, ao trabalho digno e, principalmente, à sua segurança”.
De acordo com depoimentos reunidos pela Polícia Civil, as intimidações aconteceram entre os dias 12 e 13 de janeiro, quando adultos fizeram ameaças ao porteiro.
Relembre o caso
A Polícia Civil realizou, na manhã desta segunda-feira (26), em Florianópolis (SC), três mandados de busca e apreensão em endereços de investigados por maus-tratos a animais e por coação no processo que apura a morte do cachorro Orelha, cão comunitário que vivia havia cerca de 10 anos na Praia Brava, na capital catarinense.
Até o momento, a Polícia Civil identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de terem participado das agressões e da tortura que resultaram na morte do cachorro Orelha. As buscas ocorreram nas residências deles e de seus responsáveis legais.
Desses quatro adolescentes suspeitos, dois estão nos Estados Unidos. De acordo com a polícia, a viagem de ambos estava programada antes da prática do crime, e eles devem retornar ao Brasil na próxima semana.
Os adolescentes suspeitos de terem torturado e agredido o animal serão ouvidos pela Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso, conforme orientação do Ministério Público de Santa Catarina.
Também foram cumpridos mandados contra três adultos investigados por possível coação durante o andamento do processo. Os nomes dos investigados não foram divulgados. Celulares e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos para análise. Depoimentos serão colhidos ainda nesta segunda-feira.
Caso seja comprovada a participação dos quatro adolescentes no espancamento e na tortura do cachorro Orelha, eles poderão receber medidas socioeducativas ou responder por ato infracional. De acordo com o MPSC, as penalidades previstas em lei incluem advertência, prestação de serviços à comunidade e liberdade assistida. Em casos extremos, há a possibilidade de internação.
A morte do cão comunitário conhecido como Orelha após um episódio de agressão na Praia Brava, em Florianópolis, mobilizou autoridades, moradores e órgãos de proteção animal em Santa Catarina. O caso ocorreu no dia 15 de janeiro de 2026 e é investigado pela Polícia Civil.
O animal vivia há mais de uma década na região da Praia Brava, onde era cuidado por moradores, pescadores e frequentadores do local. Considerado um mascote da comunidade, Orelha foi encontrado gravemente ferido em uma área de mata, com múltiplos traumas provocados por pauladas. Ele chegou a ser encaminhado para atendimento veterinário, mas, diante da gravidade das lesões, foi submetido à eutanásia.
O que aconteceu
Imagens de câmeras de segurança e depoimentos colhidos durante a apuração indicaram a participação de quatro adolescentes de classe média alta no episódio. As investigações estão sendo conduzidas pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), com apoio da Delegacia de Combate a Crimes Ambientais e Crimes contra as Relações de Consumo (DEACLE).
Segundo a Polícia Civil, a fase de oitivas está em conclusão nesta semana. Além dos adolescentes suspeitos, os pais ou responsáveis legais devem ser ouvidos. Há também apuração de uma possível tentativa de coação a testemunhas por parte de familiares dos investigados, incluindo a suspeita de envolvimento de um policial civil.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio da 10ª e da 32ª Promotorias de Justiça, acompanha o caso. Conforme o andamento das investigações, poderão ser propostas medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ou outras providências no âmbito do crime ambiental. A juíza inicialmente designada para o caso declarou impedimento, e o processo aguarda redistribuição.
O que afirmam as autoridades
Autoridades estaduais se manifestaram sobre o episódio. O delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, e a delegada Mardjoli Valcareggi afirmaram que as apurações seguem de forma imparcial. O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL-SC), determinou prioridade à investigação.
Manifestações
A morte do animal gerou mobilização popular. No dia 24 de janeiro, moradores realizaram um protesto na Praia Brava pedindo justiça, com cartazes em homenagem a Orelha. Ativistas da causa animal também se manifestaram publicamente cobrando responsabilização dos envolvidos.








Envie seu comentário