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Lula quer governo fora da defensiva em caso Master

Por isso, o governo deve centrar esforços em defender, publicamente, a autonomia da Polícia Federal e do Banco Central
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-Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende usar a estratégia de manter o governo fora de uma posição defensiva diante da crise do Master.

Segundo apuração da CNN, a avaliação compartilhada pelo presidente com ministros, é de que o episódio não pode contaminar a imagem do governo, nem colocar em dúvida a atuação de instituições.

Por isso, o governo deve centrar esforços em defender, publicamente, a autonomia da Polícia Federal e do Banco Central, com a ideia de que a fraude do Master deve ser investigada tecnicamente, sem interferência política.

Nos bastidores, porém, auxiliares admitem que o presidente está preocupado com o desgaste político, especialmente, com a condução da investigação pelo ministro Dias Toffoli.

A postura, no entanto, deve ser a de manter a crise de credibilidade como algo restrito ao Supremo, sem risco ao Executivo, desde que não haja comprovação de envolvimento de entes do governo com o caso Master.

Esse discurso começa a ser adotado após a revelação de que Lula se reuniu, fora da agenda oficial, com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, em dezembro do ano passado. A reunião ocorreu a pedido do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Informações apuradas pela CNN indicam que o banqueiro apontou as dificuldades do banco, mas ouviu de Lula que o assunto seria tratado, exclusivamente, pelo Banco Central.

Ainda em dezembro, Lula também esteve com Dias Toffoli, na presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A conversa ocorreu em meio aos avanços das discussões sobre o caso, após a imposição do sigilo na investigação por decisão do ministro.

O episódio ganhou novo capítulo com a revelação, pelo Portal Metrópoles, nesta segunda-feira (26), que o ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, manteve um contrato de R$ 5 milhões com o Banco Master, mesmo quando era ministro. Lewandowski afirmou que a consultoria ocorreu no período em que atuava na advocacia privada e que se retirou do escritório após ingressar no governo.

A partir de agora, a orientação de Lula é evitar reações que admitam receio do governo com o avanço das investigações. O presidente quer manter a ideia de que defende as apurações e a atuação da PF e do BC no caso, ao mesmo tempo, em que busca distanciar-se da condução de Dias Toffoli sobre a crise, o que considera, por enquanto, um problema restrito ao STF.

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