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Ação da polícia judicial é legal e garante autonomia a ministros, diz STF

O esclarecimento foi publicado um dia após a imprensa noticiar que o Judiciário pagou menos R$ 450 mil em diárias a servidores
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Marcello Casal Jr\Agência Brasil

O STF (Supremo Tribunal Federal) afirmou em nota oficial divulgada nesta sexta-feira (23) que a atuação da polícia judicial da Corte segue todos os termos da lei e tem o objetivo de garantir a autonomia e imparcialidade dos ministros.

O esclarecimento foi publicado um dia após a imprensa noticiar que o Judiciário pagou menos R$ 450 mil em diárias a servidores para “prestar apoio em segurança e transporte” ao ministro Dias Toffoli na cidade de Ribeirão Claro (PR).

O município abriga o Tayayá Resort, que já pertenceu aos irmãos e ao primo do ministro, além de estar envolvido numa transação entre o cunhado do dono do Banco Master e irmãos de Toffoli.

A nota divulgada pelo Supremo ressalta que os ministros são alvos frequentes de ameaças, tentativas de invasão da Corte e outras ações criminosas, por isso, a polícia judicial age constantemente para garantir a segurança dos magistrados e uma atuação pública sem interferências.

“Os ministros do STF são alvos recorrentes de ameaças, materializadas por e-mails, publicações em redes sociais, tentativas de invasão das dependências do Tribunal e outras ações criminosas. Fatos como os atos de 8 de janeiro de 2023, o atentado a bomba ocorrido em 13 de novembro de 2024 e investigações da Polícia Federal que apuram planos concretos contra autoridades evidenciam esse cenário”, afirma a nota.

“Diante desse contexto, a atuação da Secretaria de Polícia Judicial do STF observa os preceitos legais aplicáveis, de modo a assegurar condições adequadas para o exercício pleno e independente das funções constitucionais dos ministros”, conclui o STF.

Conforme mostrou a CNN, as informações sobre o serviço de segurança oferecido ao ministro enquanto ele estava no resort estão disponíveis no painel da transparência do TRT-2. As listas trazem os nomes de 25 servidores do Judiciário que prestaram esse auxílio no decorrer do período.

De acordo com o levantamento feito mês a mês pela CNN Brasil, é possível concluir que o apoio foi dado em 16 ocasiões e, ao todo, foram pagas quase 600 diárias. O mês de julho de 2025 foi o mais movimentado, totalizando 28 dias de estadia.

Tayayá Resort e Banco Master

Um fundo de investimento gerido por empresa citada no caso Master realizou um aporte de R$ 4,3 milhões para comprar ações do resort.

Dados da Receita Federal apontam que o empreendimento já teve no quadro de sócios a Maridt Participações S.A, que pertence a Igor Luiz Pires Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos de Toffoli.

O investimento para a compra de uma parte do Tayayá Resort foi realizado pela Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, segundo registros da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) de outubro de 2025.

A Arleen é administrada pela Reag, citada na operação Carbono Oculto por suspeita de ligação com um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital), e que teria investido R$ 16,3 milhões na DGEP Empreendimentos, que também já teve no quadro societário Mario Umberto Degani, primo de Toffoli.

Procurada, a Reag disse que não vai comentar o caso. A CNN Brasil também entrou em contato com o gabinete do ministro Dias Toffoli, com o Tayayá Resort, com a DGEP e com os demais citados na reportagem. Não houve retorno até a publicação desta reportagem.

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