Manaus (AM) — A luta contra o câncer infantil ganhou mais um episódio marcado por incertezas e solidariedade no Amazonas. Sem conseguir acesso pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ao exame PET Scan da medula óssea — fundamental para avaliar a resposta ao tratamento — Bianca Silva, mãe do pequeno Breno Matheus, diagnosticado com leucemia há um ano, mobiliza a população para arrecadar os R$ 1,5 mil necessários ao procedimento.
O exame deve ser realizado com urgência, pois o menino inicia uma nova fase da quimioterapia nesta segunda-feira. Segundo a família, o PET Scan, conhecido pela alta complexidade e precisão na detecção de doenças da medula óssea, não é ofertado pela rede pública no estado.
“Ele tem que fazer esse exame da medula para ver como a quimioterapia reagiu durante esse tempo. É um exame final, para saber se a quimioterapia matou a doença ou se ela retornou para a medula. Por isso é tão importante”, explicou Bianca. “Infelizmente, esse exame não tem no SUS. A gente faz numa clínica particular.”
Caminho difícil e tratamento limitado
Bianca recorda o dia em que recebeu o diagnóstico do filho, em 20 de março de 2024. Desde então, acompanha Breno nas sessões de quimioterapia realizadas no Hemoam. Apesar do atendimento oferecido pela instituição, ela afirma que o exame decisivo para seguir com o tratamento — o chamado DRM — não está disponível na rede pública.
“É um exame profundo da medula óssea, tipo uma biópsia”, resumiu.
Denúncias e superlotação no Hemoam
Além da dificuldade em obter o exame, familiares de pacientes oncológicos relatam problemas na estrutura de atendimento do Hemoam. Entre as queixas estão superlotação, falta de leitos, transferências constantes de crianças para outros hospitais e relatos de óbitos supostamente ligados à falta de suporte adequado.
A ausência de leitos de UTI para pacientes oncológicos e a permanência de adultos e crianças na mesma enfermaria também estão entre as denúncias feitas por acompanhantes.
A expectativa de melhoria gira em torno da inauguração do novo prédio do Hemoam, prometido para ampliar a capacidade e modernizar a estrutura de assistência.
“Muitas mães já perderam seus filhos”
Para Bianca, a urgência do exame vai além da situação do próprio filho. Ela afirma que outras famílias passam pelo mesmo problema.
“Muitas mães já perderam suas crianças por não terem condições de realizar esse exame”, declarou.
Como ajudar
A família de Breno Matheus está realizando uma vaquinha e uma rifa solidária para alcançar os R$ 1.500 necessários ao PET Scan. Segundo Bianca, qualquer contribuição pode ser decisiva para a continuidade do tratamento e para aumentar as chances de cura do menino.
Doações e apoio podem ser feitos diretamente com a família, que segue mobilizada para garantir o exame ainda nesta semana.






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