O sul do Amazonas voltou a ser palco de destruição ambiental. Vídeos gravados por moradores do município de Apuí e divulgados na última sexta-feira (26) revelam cenas alarmantes: colunas densas de fumaça encobrindo a floresta, sinal do reinício de mais uma temporada de queimadas ilegais impulsionadas por grilagem de terras e desmatamento criminoso.
Mesmo após diversas ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) na região — incluindo autuações, embargos e aplicação de multas — os crimes ambientais persistem. A situação expõe a fragilidade da fiscalização frente à ação contínua de infratores que desafiam abertamente o Estado e colocam em risco o patrimônio ambiental da Amazônia.
A fumaça tóxica gerada pelas queimadas em Apuí ameaça não apenas o ecossistema local, mas também a saúde de milhões de pessoas. A previsão é que a nuvem de poluentes avance nos próximos dias rumo a cidades maiores, inclusive Manaus, afetando crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. Autoridades de saúde alertam para um possível aumento de internações e mortes evitáveis, como já ocorreu em temporadas anteriores de queimadas.
Em nota, o IBAMA reafirmou seu compromisso com a proteção da floresta e da vida, mas enfatizou a necessidade de uma atuação mais coordenada entre órgãos públicos. O apelo é direto ao Ministério Público, ao Judiciário, aos governos Estadual e Federal e ao Congresso Nacional, que recentemente aprovou o polêmico Projeto de Lei 2159/22 — apelidado de “PL da Devastação” — flexibilizando regras de licenciamento ambiental e agravando ainda mais o cenário.
“O que está em curso não é apenas um crime contra a natureza. É um ataque à vida”, alerta a nota do IBAMA.

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