‘Esquema de David Almeida beneficiava grupo com ligação política’, aponta MP

‘Esquema de David Almeida beneficiava grupo com ligação política’, aponta MP

Da redação 

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) identificou a suposta contratação de dez médicos, com remuneração de cerca de R$ 9 mil cada, para cargos de gerentes de projetos. Mas essas nomeações, todas feitas por Almeida, teriam como objetivo beneficiar o grupo, composto por pessoas com “ligações políticas e econômico-financeiras de apoio político e eleitoral ao atual prefeito”.

O MP estadual aponta que o município de Manaus remunera médicos temporários, com carga horária de 20 horas semanais, no montante de R$ 6.933,96. Como a carga horária para esses dez médicos é de 24 horas semanais, o valor a ser pago deveria corresponder, no máximo, a R$ 8.320,76. Isso configuraria, portanto, crime de peculato (desvio de dinheiro público).

Entre as contratações, estão as gêmeas Gabrielle e Isabelle Kirk Maddy Lins, filhas do empresário Nilton Lins, que chegaram a compartilhar nas redes sociais o momento em que receberam a primeira dose da vacina. Em resposta à enxurrada de ataques recebidos, as irmãs disseram atuar na linha de frente do combate ao coronavírus na UBS (Unidade Básica de Saúde) Nilton Lins, batizada em homenagem ao pai.

As dez nomeações aconteceram em 18 e 19 de janeiro, o que causa “a forte impressão de que a corrida para a formalização dos cargos ocorreu exatamente coincidindo com o momento [do início da aplicação] das vacinas”, na visão do MP estadual.

Ainda segundo o órgão, também teriam sido vacinados indevidamente um empresário, sua esposa e um advogado, além de:

  • Shadia Hussami Hauache Fraxe, secretária municipal de Saúde;
  • Luiz Cláudio de Lima Cruz, subsecretário municipal de Saúde;
  • Sebastião da Silva Reis, secretário municipal de Limpeza;
  • Stenio Holanda Alves, advogado e assessor I da Secretaria Municipal de Saúde;
  • Clendson Rufino Ferreira, assessor II da Secretaria Municipal de Saúde;
  • Jane Mara Silva de Moraes de Oliveira, secretária municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania.

Nenhum destes servidores atua na linha de frente do combate à covid-19, tampouco são idosos pertencentes ao grupo prioritário da primeira fase de vacinação, de acordo com o MP-AM.

Ainda segundo as investigações, o prefeito supostamente inseriu declaração falsa ao nomear médicos para exercerem atividade médica, porém, no cargo de Gerente de Projetos, e a Secretária Municipal de Saúde, Shadia Hussami Hauache Fraxe, e o Médico/Assessor Djalma Pinheiro Pessoa Coelho serviram de executores materiais dos atos necessários à prática da falsidade ideológica.

Tampão 

Ex-governador do Amazonas, Almeida está há menos de um mês na prefeitura de Manaus, tendo sido eleito em 2020, em segundo turno, com 51,27% dos votos válidos, derrotando Amazonino Mendes (Podemos). Ele é sucessor de Arthur Virgílio Neto (PSDB).